Sem recursos, governo dos EUA para no aniversário de um ano da gestão Trump

Washington, 20 Jan 2018 (AFP) - Donald Trump completa um ano de governo neste sábado (20) obrigado a fechar as operações não essenciais do governo, diante do fracasso de um acordo no Senado para aprovar uma extensão do orçamento por quatro semanas.

A última vez que o governo federal americano se viu forçado a paralisar suas atividades foi em outubro de 2013, durante o governo de Barack Obama. Na época, 800 mil funcionários públicos foram colocados em licença por 16 dias.

O presidente acusou os adversários democratas de terem provocado o "shutdown" como uma manobra política.

"É o primeiro aniversário da minha presidência, e os democratas queriam me dar este lindo presente", ironizou Trump em uma série de tuítes.

O Senado tinha até a meia-noite de sexta-feira para aprovar o projeto de extensão do orçamento. Não obteve os 60 votos necessários, apesar das intensas negociações. O texto já havia passado pela Câmara de Representantes na véspera.

A paralisia das atividades federais entrou em vigor neste sábado, às 2h (horário de Brasília). Seus primeiros efeitos devem começar a ser sentidos a partir de segunda-feira.

Em um discurso na plenária, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que sua bancada está aberta a "continuar conversando para resolver" o impasse.

"Não acho que isso nos mostre como uma instituição muito responsável. Os americanos deveriam esperar mais de nós", afirmou McConnell, sem esconder sua irritação.

"Tenho problemas para entender (...) como meus colegas democratas podem estar orgulhosos" por terem provocado o fechamento do governo ao bloquear um acordo, criticou McConnell, para quem a oposição usou uma "estratégia ridícula".

Em resposta, o líder da bancada democrata, Chuck Schumer, comentou que "cada americano sabe que os republicanos controlam a Casa Branca, a Câmara de Representantes e o Senado e que é seu trabalho manter o governo aberto".

Schumer pediu ao presidente que convoque urgentemente uma reunião na Casa Branca com os líderes de ambos os partidos para selar um compromisso.

Em meio às negociações, o senador conservador John Kennedy publicou no Twitter uma mensagem que retratou um sentimento que parece se generalizar: "Nosso país foi fundado por gênios, mas é dirigido por idiotas".

- Pesada derrota -Esse cenário é uma dura derrota política para Trump, justo no dia em que sua presidência completa um ano.

Pouco antes do meio-dia de sexta-feira, Trump assumiu pessoalmente as rédeas das negociações e convidou Schumer para ir à Casa Branca, na tentativa de fazer as negociações avançarem.

Depois do encontro, o presidente tuitou que a conversa havia sido "excelente". Pouco depois, em outro tuíte, admitiu que as possibilidades de um acordo "não vão bem".

A oposição democrata bloqueou o acordo orçamentário diante da não inclusão de uma solução para os quase 700 mil imigrantes beneficiados pelo programa DACA, lançado em 2012 pelo governo do então presidente Barack Obama e que não foi renovado por Trump.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, emitiu uma nota oficial, acusando os democratas de tomarem os cidadãos americanos como "reféns".

"Não vamos negociar o status de imigrantes ilegais enquanto os democratas, com suas demandas irresponsáveis, fizerem de reféns os cidadãos que seguem as leis", afirmou Sanders.

"Esta é uma atitude de perdedores obstrucionistas, não de congressistas", acrescentou.

- Portas fechadas -Seus primeiros efeitos devem começar a aparecer a partir de segunda-feira.

Nas Forças Armadas, os militares deverão permanecer em seus postos, assim como policiais, patrulheiros da fronteira, agentes aduaneiros e operadores de voo em todo país.

No governo, serão mantidas as operações da Casa Branca, do Departamento de Estado, do Congresso e de órgãos como os Correios, ainda que com menos funcionários.

Entre os órgãos públicos que serão fechados está a Administração da Seguridade Social e os Departamentos de Habitação, Educação, Comércio e Trabalho, além da Agência de Proteção Ambiental.

"Há soldados americanos que se preparam para passar seis meses no Kuwait e os preocupa que não sejam pagos logo. É inconcebível", reclamou o vice-presidente Mike Pence durante uma escala em Shannon (Irlanda), onde cruzou com militares dos EUA em trânsito para uma missão no exterior.

Até o momento, é praticamente impossível prever quanto tempo essa situação vai durar. Republicanos e democratas já iniciaram o estéril jogo de apontar responsabilidades pelo ocorrido. As negociações foram retomadas na manhã deste sábado. Ambos os partidos estão conscientes de que nenhum deles terá benefícios políticos com esta paralisia.

Em sua nota oficial, Sarah Sanders denunciou que se trata do "'shutdown' de Schumer", referindo-se ao papel do senador democrata nas negociações. Na plenária do Senado, o próprio Schumer disse se tratar do "'shutdown' de Trump".

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