Senado tenta votação para evitar paralisação do governo

Washington, 20 Jan 2018 (AFP) - O Senado dos Estados Unidos tentará na noite desta sexta-feira aprovar uma extensão provisória do orçamento federal, em uma medida de extrema urgência para evitar a paralisação do governo.

A votação de última hora está prevista para às 22H00 local, para se evitar o temido 'shutdown' de ministérios e agências federais por falta de verbas.

Caso não haja um acordo até a meia-noite local, o governo deverá paralisar suas operações não essenciais.

O Partido Republicano tem 51 dos 100 votos no Senado, mas para se fechar o acordo são necessários 60 votos, de forma que a oposição democrata tem um papel central no desenlace da crise.

Na noite desta sexta-feita, o presidente Donald Trump admitiu que a perspectiva de se alcançar um acordo político com o Senado não caminha bem.

"Não é boa a perspectiva para nossos militares e nossa segurança", escreveu Trump no Twitter, acusando os democratas de querer "a paralisação do governo para diminuir o sucesso da nossa lei de redução de impostos".

Durante a tarde, Trump recebeu na Casa Branca o líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, para uma reunião.

No Twitter, Trump havia revelado uma "excelente reunião preliminar" com Schumer, na qual ambos "trabalharam em busca de soluções para a segurança e para nossos militares". "Estamos fazendo progressos".

Em seu retorno ao Senado, Schumer se reuniu com outros líderes democratas e comentou com jornalistas que houve alguns progressos no encontro com Trump. "Obtivemos avanços, mas ainda há numerosos desacordos. As negociações vão prosseguir".

O presidente cancelou a viagem prevista para o fim de semana ao seu resort na Flórida, e permanecerá em Washington para coordenar as ações de governo caso a paralisação seja inevitável, indicou a Casa Branca.

A Câmara de Representantes aprovou na quinta-feira à noite uma extensão de quatro semanas do orçamento, até 16 de fevereiro, por 230 votos contra 197.

Mas as perspectivas são sombrias no Senado, onde a minoria do Partido Democrata, ansiosa para aproveitar os acordos orçamentários para resolver a questão migratória, tinha a intenção de bloquear qualquer votação.

"A lei de orçamento do governo foi aprovada na noite passada na Câmara de Representantes. Agora, é necessário ter democratas para que se aprove no Senado - mas eles querem imigração ilegal e fronteiras fracas", tuitou Trump nesta manhã.

- Paralisação da burocracia -"Vai acontecer um 'shutdown'?", questionou, referindo-se ao fechamento de um grande número de agências federais caso o projeto de orçamento não receba um sinal verde no Senado.

Esse seria o primeiro "shutdown" (apagão do governo) desde outubro de 2013, quando 800.000 funcionários enfrentaram uma paralisação técnica durante mais de duas semanas.

"Precisamos de mais vitórias republicanas em 2018", especialmente nas eleições de meio de mandato previstas para novembro, concluiu Trump em seu tuíte.

Schumer disse na quinta-feira que se não houver acordo até esta noite deve ser feita uma medida de financiamento de mais curto prazo, que "daria ao presidente alguns dias para se sentar à mesa".

Mitch McConnell, líder republicano da maioria no Senado, disse que o projeto de lei da Câmara prevê quatro semanas de financiamento, suficientes para permitir que as negociações continuem, sem "deixar o governo no caos sem qualquer motivo".

Schumer quer "reter todo o país como refém", acusou McConnell.

Para Schumer, entretanto, McConnell "busca desviar a culpa, mas simplesmente não funcionará".

- 'É arriscado' -O presidente da Câmara, o republicano Paul Ryan, pediu a Schumer para evitar uma paralisação do governo dizendo: "É arriscado. É imprudente. E está errado".

Trump começou a participar, na quinta-feira, do caos que tomou conta de Washington.

No caso de um fracasso das negociações, funcionários de agências e escritórios federais considerados não essenciais vão receber a ordem de ficar em casa até que um orçamento seja aprovado.

Escritórios centrais, como a Casa Branca, o Congresso, o Departamento de Estado e o Pentágono permanecerão operacionais, mas com equipes reduzidas.

Os militares deverão se apresentar para trabalhar, mas a tropa - inclusive as que estão em áreas de combate - possivelmente não receberão por esses dias.

Em dezembro, o Congresso já se encontrou na mesma situação, e nos últimos instantes os dois partidos fecharam um acordo para estender o orçamento até 20 de janeiro.

Mas, para um novo acordo, temporário ou permanente, os democratas insistem que a normativa inclua uma solução para os milhares de imigrantes que chegaram ao país como crianças e regularizaram sua situação pelo programa Daca, suspenso por Trump em setembro passado.

Na manhã desta sexta-feira, Ryan recorreu ao Twitter para acusar os democratas de "tomar como reféns um orçamento para o governo e um orçamento para nossas tropas".

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