Piloto rebelde Óscar Pérez é enterrado em Caracas, sem aval da família

Caracas, 21 Jan 2018 (AFP) - O corpo do ex-policial Óscar Pérez, morto durante uma operação para sua captura, foi sepultado neste domingo (21) em Caracas contra a vontade de sua viúva e de sua mãe, denunciaram familiares do piloto rebelde.

"Decidiram arbitrariamente realizar o enterro controlado, sem permitir velá-lo e muito menos permitir transferi-lo com sua família", escreveu no Twitter Dana Vivas, viúva de Pérez, morto na segunda-feira passada, juntamente com seis aliados.

Vivas mora no México com os três filhos que teve com o ex-policial, que se sublevou contra o presidente Nicolás Maduro, durante protestos da oposição, que deixaram 125 mortos entre abril e julho do ano passado.

"Eu o quero comigo para enterrá-lo onde eu quiser", havia dito na véspera Aminta Pérez, sua mãe, que também mora no México.

A entrada para o Cemitério do Leste, o principal da capital venezuelana, amanheceu com forte esquema de segurança. O sepultamento de Pérez ocorreu com o local fechado ao público e com entrada permitida apenas a dois familiares.

Uma hora depois, quando as portas se abriram, dezenas de pessoas começaram a chegar, estendendo uma bandeira da Venezuela sobre o túmulo e depositando flores e um uniforme do Corpo de Investigações Científicas e Criminalísticas, ao qual Pérez pertenceu.

Apesar da denúncia de Vivas, Aura Pérez, tia do ex-policial, mostrou-se aliviada, após seis dias de espera pela entrega do corpo. "Queria fazer o enterro do meu sobrinho", declarou à AFP, evitando falar do pedido de traslado ao México.

Estiveram presentes no cemitério familiares dos mortos nos protestos em 2017, como os pais de Juan Pernalete, jovem manifestante que, segundo a ex-procuradora Luisa Ortega, morreu quando um militar disparou à queima-roupa uma bomba de gás lacrimogêneo, uma versão que o governo nega.

Pérez e seus homens "se rebelaram contra o assassinato de manifestantes pacíficos", comentou à AFP a mãe do rapaz falecido, Elvira Pernalete.

Óscar Pérez foi acusado de "terrorismo" e declarado "o criminoso mais procurado" da Venezuela, após atacar, a bordo de um helicóptero, em 27 de junho passado, edifícios do governo com granadas e armas de fogo. Não houve vítimas no incidente. Em 18 de dezembro, seu grupo amordaçou militares em seu quartel, de onde levou fuzis e munições.

No sábado, em meio a discretos protestos em redutos da oposição em Caracas pela morte de Pérez, dois de seus companheiros foram enterrados no Cemitério do Leste. Os outros quatro foram trasladados para as cidades de Maracaibo (noroeste) e San Cristóbal (oeste).

Todos morreram atingidos por disparos na cabeça, segundo os atestados de óbito publicados pela imprensa, e organizações de direitos humanos alertam para possíveis "execuções extrajudiciais". O governo sustenta que as autoridades reagiram a fogo inimigo.

"Sua esposa e sua mãe têm temores fundamentados de voltar ao país (...) Tentaremos apoiar a solicitação (de enviar o corpo ao exterior), mas há uma investigação em curso e o corpo é fundamental", declarou à AFP o diretor da ONG de direitos humanos Fórum Penal, Alfredo Romero.

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