Rei da Jordânia expressa a vice-presidente norte-americano 'preocupação' sobre Jerusalém

De Amã (Jordânia)

  • Raad Adayleh

    O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, se encontra com o rei Abdullah 2º, da Jordânia

    O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, se encontra com o rei Abdullah 2º, da Jordânia

O rei Abdullah 2º, da Jordânia, expressou neste domingo (21) sua "preocupação" com a polêmica decisão dos Estados Unidos de reconhecerem Jerusalém como capital de Israel, ao receber em Amã o vice-presidente americano, Mike Pence, que faz uma viagem pelo Oriente Médio.

Pence, que realiza sua primeira viagem à região em um contexto especialmente tenso devido a esta decisão, é esperado à noite em Israel, última etapa desta visita, depois das escalas em Jordânia e Egito.

"Jerusalém é fundamental para os muçulmanos e cristãos, como é para os judeus", disse o rei Abdullah 2º, um aliado-chave dos Estados Unidos, cujo país é o guardião dos lugares sagrados muçulmanos na Cidade Santa. Esta cidade "é crucial para a paz na região e crucial para permitir aos muçulmanos combater eficazmente algumas das causas da radicalização", insistiu.

O estatuto de Jerusalém é um dos obstáculos do processo de paz israelense-palestino, paralisado desde 2014. Em 1967, Israel ocupou e depois anexou a parte oriental da cidade, algo considerado ilegal pela ONU. Os palestinos, por sua vez, pretendem fazer de Jerusalém Oriental a capital do Estado ao qual aspiram.

Prevista em princípio para o fim de dezembro, a viagem de Pence ao Oriente Médio foi adiada depois da decisão de Trump, que causou incômodo aos palestinos, violentos protestos nos territórios ocupados e manifestações em muitos países árabes e muçulmanos.

Esta decisão acabou com décadas de diplomacia americana e quebrou um consenso da comunidade internacional.

'Restabelecer a confiança'

"Estou certo de que a sua visita está destinada a restabelecer a confiança, não apenas para um solução de dois Estados, com Jerusalém Oriental como capital de um Estado palestino independente, como também para conviver com um Estado de Israel seguro e reconhecido, de acordo com o direito internacional", disse o rei a Pence, acompanhado em sua viagem por sua esposa, Karen.

Jordânia e Egito são os únicos países árabes que assinaram um tratado de paz com Israel e poderiam ter um papel importante na reativação do processo de paz israelense-palestino.

Pence qualificou de "histórica" a decisão do presidente americano sobre Jerusalém, enquanto assinalava o compromisso de Washington de "respeitar o papel da Jordânia como guardiã dos lugares sagrados" e de apoiar "uma solução de dois Estados se for os que as duas partes acordarem".

Depois de sua passagem por Egito e Jordânia, Pence se reunirá na segunda e terça-feira em Israel com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e o presidente, Reuven  Rivlin.

Para os palestinos, os Estados Unidos já não podem mais cogitar ter um papel de mediador no processo de paz, e asseguraram que boicoteariam a visita de Pence.

Uma coalizão de partidos árabes no Parlamento israelense anunciou que irá boicotar seu discurso no Knesset, e qualificou Pence como um homem "perigoso e messiânico".

As relações entre Washington e os palestinos se agravaram ainda mais depois da decisão americana nesta semana de "congelar" mais da metade de seus pagamentos previstos à agência da ONU para os refugiados da Palestina, a UNRWA.
 

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