Espanha quer prender líder separatista catalão, que está em Copenhague

Copenhaga, 22 Jan 2018 (AFP) - O ex-presidente da Catalunha destituído pelo governo espanhol, Carles Puigdemont, chegou nesta segunda-feira (22) a Copenhague, procedente da Bélgica, apesar da ameaça das autoridades de Madri de emitir um mandado europeu de prisão.

O líder separatista chegou às 8h30 (5h30, horário de Brasília) ao aeroporto de Kastrup-Copenhague, sem dar declarações.

Na capital dinamarquesa, Puigdemont deve participar de um colóquio sobre a Catalunha e sobre a Europa às 14h locais (11h, em Brasília).

Hoje, a Procuradoria espanhola pediu ao juiz encarregado do caso do presidente catalão que reative a ordem de detenção aberta contra ele, indicou uma fonte judicial.

"A Procuradoria do Tribunal Supremo solicitou ao magistrado instrutor que envie a ordem europeia de detenção às autoridades dinamarquesas contra Carles Puigdemont pelo delito de rebelião e/ou sedição", indicou o órgão em um comunicado.

O juiz do Tribunal Supremo deverá decidir se acolhe o pedido, formulado após a chegada de Puigdemont à Dinamarca. Ele vive na Bélgica, foragido da Justiça espanhola, que o investiga por rebelião e sedição por sua participação na frustrada declaração de independência da Catalunha.

Esta é sua primeira viagem desde que se instalou na Bélgica, há quase três meses.

- Presidente do Parlamento pede diálogo -Também nesta segunda-feira (22), o presidente do Parlamento catalão, Roger Torrent, propôs ao chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, um diálogo sobre a situação dos oito deputados separatistas detidos, ou voluntariamente exilados na Bélgica, incluindo Puigdemont.

"Em uma carta assinada hoje mesmo, propus ao presidente do governo espanhol, o senhor Mariano Rajoy, me sentar com ele para analisar e dialogar sobre a situação anômala em que vive o Parlamento, em que oito de seus deputados veem seus direitos políticos feridos", afirmou Torrent em breve conversa com a imprensa, após propor aos deputados a candidatura de Puigdemont à Presidência regional.

Para esse membro da Esquerda Republicana da Catalunha (separatista), uma nova candidatura do presidente catalão afastado por Madri é "absolutamente legítima", ainda que seja procurado pela Justiça espanhola e esteja morando em Bruxelas.

A candidatura de Puigdemont é apoiada pelos dois maiores partidos separatistas da Câmara, que contam com 66 cadeiras do total de 135.

Os juristas do Parlamento catalão consideram que uma posse remota seria contra o regulamento da Casa. Oposição e governo já anunciaram que vão contestar essa candidatura na Corte Constitucional.

Agora, é necessário que o tema seja inscrito na ordem do dia do Parlamento catalão. O Legislativo deverá debater essa pauta durante uma sessão seguida de votação, que pode levar até dois dias e acontecer no final do mês. Nenhuma data foi anunciada até o momento.

ik-gab/phv.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos