Presidente palestino busca reconhecimento da UE

Bruxelas, 22 Jan 2018 (AFP) - O presidente palestino, Mahmud Abbas, pediu nesta segunda-feira (22) que a União Europeia (UE) reconheça um Estado palestino independente após a criticada e polêmica decisão dos Estados Unidos sobre Jerusalém, mas parece improvável que os europeus possam lhe oferecer algo concreto.

"Consideramos a UE uma verdadeira parceira e amiga, e é por isso que pedimos aos Estados-membros que reconheçam o Estado palestino", disse Abbas, antes de se encontrar com os ministros europeus das Relações Exteriores.

"Não há contradições entre o reconhecimento e a retomada das negociações" de paz, acrescentou.

O objetivo do encontro é, para os europeus, discutir "como a UE pode apoiar a retomada do processo de paz", congelado desde 2014, como indicou horas antes a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

A reunião com o líder da Autoridade Palestina, de 82 anos, acontece em paralelo ao encontro mensal dos chanceleres da UE. No mês passado, o bloco já havia feito o mesmo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Na ocasião, a UE criticou a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, uma decisão confirmada nesta segunda-feira por seu vice-presidente, Mike Pence. Hoje, Pence anunciou a abertura da embaixada dos Estados Unidos na Cidade Santa antes do final de 2019.

A posição europeia - a visão internacional mais difundida - é que a solução para o conflito envolve a criação de dois Estados com base nas fronteiras de 1967, cujas capitais em ambos os casos estarão em Jerusalém.

Em meados de janeiro, Abbas considerou que, após a decisão americana, a oferta de paz israelense e palestina de Donald Trump é a "bofetada do século" e enfatizou que Israel "deu fim" aos Acordos de Oslo de 1990 sobre a autonomia palestina.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, Alfonso Dastis, instou o presidente palestino a "moderar" sua resposta diante de decisões que até mesmo os europeus desaprovam, em referência à decisão de Trump.

- Acordo de associação? -O reconhecimento conjunto dos europeus do Estado palestino parece distante, no entanto. Somente a Eslovênia poderia se juntar aos países da UE, incluindo a Suécia, que já o fazem.

De acordo com as autoridades palestinas, há pelo menos nove no bloco dispostos a este reconhecimento.

Sobre a mesa poderia se propor a perspectiva de um "acordo de associação" entre a UE e a Autoridade Palestiniana, como já existe com Israel, embora um funcionário da UE tenha afirmado que esta ideia está em "estágio muito preliminar".

O chanceler francês, Yean-Yves Le Drian, ressaltou em sua chegada para o encontro a proposta do acordo de associação e manifestou o desejo de que a UE "se comprometa desde já com um processo nesse sentido".

O ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al Malki, disse à AFP que um acordo de associação não pode "substituir" o reconhecimento de um Estado palestino e que, "se os europeus quiserem desempenhar um papel, então devem ser justos no tratamento de ambas as partes".

Outro tema que os chanceleres pretendem abordar é o acordo nuclear com o Irã, uma questão que se tornou outra preocupação regional depois que Trump criticou o pacto histórico fechado com Teerã por seu antecessor, o democrata Barack Obama.

Em 12 de janeiro, o presidente americano exigiu que os europeus ajudem a remediar as "terríveis lacunas" do acordo nuclear.

bur-tjc/es.

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