Puigdemont é oficializado candidato à presidência da Catalunha

Barcelona/Copenhague, 22 Jan 2018 (AFP) - O líder separatista Carles Puigdemont foi proposto nesta segunda-feira (22) como candidato à reeleição da Presidência da Catalunha e, da Dinamarca, mostrou-se disposto a formar um governo, apesar do repúdio e do "autoritarismo" de Madri e do processo que corre contra ele na Espanha por sedição e rebelião.

"Proporei à Câmara o deputado Carles Puigdemont i Casamajó como candidato à presidência da Generalitat (governo catalão)", anunciou em Barcelona o presidente do Parlamento catalão, Roger Torrent, após se reunir na semana anterior com diferentes partidos.

"Sou consciente da situação pessoal e judicial do senhor Puigdemont (...), mas sou consciente também de sua absoluta legitimidade para ser candidato", acrescentou Torrent, que não marcou data para o debate, que deve ser realizado até 31 de janeiro.

Puigdemont corre o risco de ser detido se voltar à Espanha para sua posse e por isso quer ser escolhido à distância pelo Parlamento, onde os separatistas conquistaram a maioria absoluta nas eleições de 21 de dezembro.

As eleições foram convocadas pelo governo central de Mariano Rajoy, após intervir na região de 7,5 milhões de habitantes e que representa quase 20% do PIB espanhol, horas depois da frustrada declaração de independência de 27 de outubro.

Depois de meses de relativa calma, após a tensão de outubro, a nomeação de Puigdemont ameaça reavivar o conflito com o Executivo espanhol, que tenta evitar sua indicação.

"Não nos parece que seja o melhor início de legislatura propor um foragido da Justiça", disse em Bruxelas o ministro espanhol das Relações Exteriores, Alfonso Dastis.

Puigdemont mantém sua promessa eleitoral de restituir seu "governo legítimo", destituído por Madri após intervir na região.

"Não vamos capitular perante o autoritarismo, apesar das ameaças de Madri. Em breve formaremos um novo governo", advertiu em um debate sobre o conflito catalão, realizado na Universidade de Copenhague, capital da Dinamarca.

Este pequeno, mas rico país escandinavo, que os separatistas catalães costumam dar como exemplo de como seria sua república, foi o destino escolhido por Puigdemont para sua primeira viagem pública ao exterior desde que se instalou na Bélgica, no fim de outubro.

A Procuradoria quis aproveitar este deslocamento para reativar uma ordem europeia de prisão, retirada em dezembro, mas o juiz do Supremo Tribunal, encarregado do caso contra ele e os líderes separatistas, recusou a petição.

O magistrado Pablo Llarena alegou que Puigdemont buscava "a provocação de uma detenção no exterior" para poder ser empossado à distância, alegando que sua ausência "não responde à sua livre decisão como foragido da Justiça, mas é consequência de uma situação que lhe foi imposta".

- Reunião com Rajoy -Esta ação judicial pôs em apuros os separatistas. Embora tenham conquistado a maioria absoluta do Parlamento regional nas últimas eleições, três de seus deputados estão presos preventivamente em Madri e outros cinco estão na Bélgica.

O presidente do Parlamento regional pediu para se reunir com Mariano Rajoy para buscar uma solução para a "situação anômala que o Parlamento vive, em que oito de seus deputados veem desrespeitados seus direitos políticos", disse Torrent.

Ele e os outros seis membros do órgão diretor do Parlamento, três deles também separatistas, deverão decidir se aceitam uma posse não presencial, embora os serviços jurídicos da Câmara o considerem antirregulamentar.

"A possibilidade de afrontar esta posse é uma questão política", reforçou Torrent, anunciando também que quer se reunir com Puigdemont e os outros sete deputados imputados.

O ex-presidente regional dispõe a princípio do apoio de seu partido, o Juntos pela Catalunha (centro-direita) e o de outro grande partido separatista, Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), que somam no total 66 deputados de um total de 135.

O governo espanhol advertiu repetidamente que recorrerá de sua posse no Tribunal Constitucional para que invalide sua votação e nomeação.

"Não é admissível que uma pessoa que vive fora da Espanha possa presidir a Generalitat (Executivo catalão), que seja empossado sem se apresentar ao Parlamento", advertiu Rajoy.

Se fosse assim, o artigo 155 da Constituição, graças à qual o governo central controla a autonomia regional desde outubro, continuará sendo aplicado, assegurou.

Um bloqueio poderia desembocar em novas eleições.

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