Terceiro dia de ofensiva turca contra curdos no norte da Síria

Hassa, Turquie, 22 Jan 2018 (AFP) - Os violentos combates entre rebeldes sírios apoiados pela Turquia e combatentes curdos continuavam, nesta segunda-feira (22), pelo terceiro dia seguido de uma ofensiva que, segundo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, seguirá até cumprir seus objetivos.

Os ataques, que tentam expulsar posições da milícia curda YPG do enclave sírio de Afrin, dobraram de intensidade nesta segunda, quando os ataques de rebeldes pró-turcos foram apoiados por blindados e artilharia.

Um balanço do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) relatou pelo menos 54 baixas: 26 combatentes curdos, 10 rebeldes pró-turcos e nove vítimas não identificadas.

A operação, batizada de "Ramo de Oliva", gerou preocupação em várias nações. "Estou muito preocupada e conversarei sobre isso, entre outros assuntos, com nossos interlocutores turcos", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em Bruxelas.

Mais cedo, o presidente Erdogan tinha alertado: "a questão de Afrin será resolvida, não haverá passo atrás. Conversamos com nossos amigos russos e chegamos a um acordo", afirmou, em discurso em Ancara.

"A operação de Afrin terminará assim que os objetivos forem atingidos", acrescentou.

Soldados turcos e seus aliados sírios lançaram, na segunda-feira, uma nova ofensiva contra as Unidades de Proteção do Povo curdo (YPG) da cidade de Azaz, a cerca de 20 km a leste de Afrin, informou a agência de imprensa Anadolu.

Um correspondente da AFP do lado turco da fronteira viu, pouco antes, uma dezena de tanques e entre 400 e 500 combatentes turcos e árabes ingressarem na Síria.

"O bombardeio continua nesta manhã do lado turco com artilharia, tanques e foguetes", declarou à AFP um porta-voz das YPG em Afrin, Rezan Hedu.

"Há tentativas (turcas) de entrar na região de Afrin e combates esporádicos na fronteira sírio-turca ao norte de Afrin. As batalhas são ferozes", afirmou.

Moscou não confirmou oficialmente se há um acordo com Ancara. Muitos analistas acreditam, porém, que uma ofensiva de grande envergadura não poderia ser lançada na Síria sem o aval da Rússia, que controla o espaço aéreo no norte do país e, na semana passada, retirou suas tropas que estavam em Afrin.

A Turquia acusa essa milícia curda síria de ser o braço do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que Ancara, bem como Washington e UE, considera "terrorista" e combate desde 1984.

As YPG são o principal componente da coalizão árabe-curda das Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiada por Washington na luta contra grupos extremistas, em particular a organização Estado Islâmico (EI).

Esta é a segunda ofensiva turca no norte da Síria, depois de uma conduzida em agosto de 2016, lançada para encurralar o EI no sul e frear a expansão dos combatentes curdos.

Aproveitando o conflito sírio, que deixou mais de 340 mil mortos desde 2011, os curdos sírios - há muito marginalizados - estabeleceram em 2012 uma administração autônoma em Afrin, um território isolado de outras áreas controladas pelas YPG mais a leste.

- Moscou acusa Washington -Ancara lançou essa ofensiva após a coalizão internacional liderada por Washington anunciar a criação de uma "força de fronteira" composta por combatentes curdos.

No domingo, os Estados Unidos pediram à Turquia "moderação", mas o secretário americano da Defesa, Jim Mattis, disse que Ancara havia alertado Washington antes de lançar os ataques e avaliou que as preocupações de segurança turcas são legítimas.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, reconheceu na segunda-feira "o direito legítimo da Turquia de se proteger".

Diante dessas reações, as FDS pediram à coalizão internacional liderada por Washington para "assumir suas responsabilidades", afirmando que a ofensiva turca constitui um claro apoio aos extremistas.

Já Moscou acusou Washington de encorajar o separatismo dos curdos na Síria.

"Washington incentivou e continua a encorajar os sentimentos separatistas entre os curdos", apontou o ministro turco das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, a repórteres.

Segundo a agência Anadolu, as forças turcas destruíram, na noite de domingo, duas posições das YPG, de onde dispararam foguetes até a cidade turca de Reyhanli, deixando um morto e 46 feridos.

A agência também informou que as forças turcas entraram no domingo em Afrin e tomaram 11 posições controladas pelas YPG, algo que as Forças Armadas não confirmam.

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