Príncipe saudita Al-Waleed é solto após 'acordo' financeiro

Riade, 27 Jan 2018 (AFP) - As autoridades sauditas soltaram neste sábado o príncipe Al-Waleed bin Talal após um "acordo" financeiro, quase três meses depois dele ter sido preso no âmbito de um amplo expurgo anticorrupção inédito no reino.

O príncipe, de 62 anos, era a figura de mais alto escalão entre os cerca de 350 suspeitos detidos em 4 de novembro, incluindo ministros e empresários, no hotel Ritz-Carlton de Riade por ordem do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman.

"O procurador-geral aprovou um acordo com o príncipe Al-Waleed bin Talal", que foi posto em liberdade na manhã deste sábado, indicou à AFP uma fonte do governo sob condição de anonimato, sem dar mais detalhes.

A fonte, quando perguntada se o príncipe permaneceria na liderança da Kingdom Holding Company, respondeu afirmativamente.

Um pouco antes, um sócio próximo do bilionário havia indicado à AFP que o príncipe estava "livre". Ao ser contatado, o Ministério da Informação saudita não quis fazer comentários.

Nas últimas semanas, várias personalidades detidas foram soltas, e o procurador-geral da Arábia Saudita, Saud al Moyeb, anunciou em dezembro que a maioria dos detidos havia aceito um acordo financeiro em troca de sua libertação.

Através desses acordos, o Tesouro saudita reembolsa quantidades que as autoridades consideram que foram mal adquiridas, explicou o procurador.

Na sexta-feira, as autoridades libertaram Waleed Al Ibrahim, proprietário da rede por satélite árabe MBC, Jaled Tuwaijri, ex-chefe da corte real, e Turki bin Nasser, ex-diretor da agência de meteorologia do país, segundo uma fonte próxima ao governo.

Segundo o Financial Times, Waleed al Ibrahim aceitou deixar o controle da MBC, uma das redes de televisão por satélite mais influentes do mundo árabe.

Entre as outras personalidades libertas está o príncipe Metab bin Abdallah, ex-chefe da poderosa Guarda Nacional saudita, despedido após sua prisão. O príncipe Metab teve que pagar mais de um bilhão de dólares, segundo a agência Bloomberg News.

O expurgo de novembro ocorreu depois de que se estabeleceu uma comissão anticorrupção presidida pelo príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman.

Alguns viram nesse expurgo uma tentativa do príncipe Mohamed de consolidar seu poder, mas as autoridades insistem em que seu único objetivo era combater a corrupção endêmica.

O procurador-geral calculou em ao menos 100 bilhões de dólares o montante dos fundos desviados ou utilizados com fins corruptos no reino há várias décadas.

O príncipe Al-Waleed, dono de uma das maiores fortunas do mundo, é conhecido por sua franqueza e por defender os direitos das mulheres e uma maior abertura da sociedade saudita.

O anúncio de sua prisão provocou alvoroço nos mercados financeiros, principalmente com quedas nas ações da Kingdom Holding Company, a empresa internacional de investimento da qual Al-Waleed possui 95%.

bur-ac/cmk/tp/sgf/jz/db

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos