Venezuela retoma diálogo agitado por antecipação das eleições

Santo Domingo, 30 Jan 2018 (AFP) - O governo de Venezuela e um setor da oposição rachada se reúnem nesta segunda-feira na República Dominicana, em uma rodada de negociações agitada pela decisão do governo de antecipar de adiantar as eleições nas quais o presidente Nicolás Maduro buscará a reeleição.

Os delegados tiveram seis horas de negociações, que serão retomadas após um intervalo, informou à imprensa Roberto Rodríguez, porta-voz da presidência dominicana.

A opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), liderada pelo deputado Julio Borges, comparece ao encontro com uma baixa sensível, Luis Florido, um de seus negociadores principais, que se ausentou em rejeição à recente decisão da Assembleia Constituinte de adiantar as eleições para antes de 30 de abril.

A comissão do governo é liderada pelo ministro de Comunicação, Jorge Rodríguez, e sua irmã Delcy Rodríguez, presidente da Constituinte. "Hoje pode ser um grande dia", declarou o chefe da delegação oficial.

A data das eleições presidenciais -que tradicionalmente são celebradas em dezembro- e as garantias eleitorais eram justamente o centro das negociações, embora também se discutam possíveis saídas para a crise socioeconômica do país.

"Se o governo não cede, não há acordo. Há uma lista de garantias, uma delas é a observação internacional" das eleições, disse à AFP o deputado Enrique Márquez, outro negociador da MUD.

Mas o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), advertiu em Caracas que "a capitulação não está planejada".

Em um comunicado, a aliança anunciou que comparece para "exigir as garantias que permitam eleições justas" e também para "protestar pelas últimas decisões do governo e pelo avanço de sua visão totalitária".

Uma dessas decisões foi um duro golpe na oposição. A mais alta corte -acusada de servir a Maduro- excluiu a MUD das eleições, argumentando que é uma aliança integrada por vários partidos e não se permite a dupla militância.

Na MUD há um ar de pessimismo. O Vontade Popular (VP), partido fundado por Leopoldo López -em prisão domiciliar- e ao qual pertence Florido, deixou as negociações uma falta de "garantias eleitorais".

"A única forma de voltar é um pré-acordo sério sobre a mesa, coisa que não acreditamos ser possível", disse à AFP o deputado Juan Andrés Mejía, coordenador do VP.

A oposição ainda não definiu se elegerá seu candidato por meio de primárias ou por consenso. O ex-candidato presidencial Henrique Capriles -desabilitado politicamente- acha que não há tempo para organizar primárias.

- "Eleição sem negociação" -O encontro em Santo Domingo conta com presença dos chanceleres de Nicarágua e Bolívia, do embaixador do Chile, e do ex-chefe de governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que servem de facilitadores.

Os chanceleres de Chile e México foram convidados pela MUD, mas o mexicano abandonou a negociação depois de criticar a antecipação das eleições.

"O governo sabe que ir a uma eleição sem negociação e com risco de não participação de oposição formal lhe garante a vitória, mas o deixa isolado, deslegitimado e sancionado", opinou o analista Luis Vicente León.

Argentina e Colômbia disseram que não reconhecerão os resultados das eleições. O chanceler espanhol, Alfonso Dastis, expressou nesta segunda-feira suas dúvidas de que as eleições serão "limpas e justas".

A Constituinte ordenou que os maiores partidos da MUD se reinscrevam no poder eleitoral para poder disputar as eleições presidenciais, por não terem participado das eleições municipais de dezembro alegando que as eleições de governadores em outubro foram fraudulentas.

O Vontade Popular decidiu não participar na renovação. O Ação Democrática conseguiu neste final de semana as assinaturas necessárias, e o Primeiro Justiça voltará a tentar os próximos sábado e domingo.

Nesse domingo, o presidente do partido socialista oficializou a candidatura de Maduro.

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