Trump defende conquistas e define prioridades em discurso ao Congresso

Washington, 30 Jan 2018 (AFP) - Donald Trump pronuncia nesta terça-feira (30) seu discurso sobre o "Estado da União" no Congresso, no qual defenderá as conquistas de seu primeiro ano de governo e definirá suas prioridades, incluindo a urgência de superar divisões e avançar em uma reforma migratória.

Em fevereiro de 2017, Trump já havia discursado para os congressistas, passadas apenas três semanas de governo, não tendo, portanto, o caráter formal dos discursos anuais sobre o "Estado da União".

"Quero ver um país unido. Quero resgatar nosso país da enorme divisão", disse Trump na Casa Branca, horas antes de seu discurso nas duas câmaras do Congresso.

"Adoraria ser capaz de recolocar nosso país em um grande nível de unidade", acrescentou.

O discurso vai começar às 21h00 locais (00h00 em Brasília) e estima-se que vá ser acompanhado ao vivo por 40 milhões de pessoas.

Segundo a porta-voz da Presidência, Sarah Sanders, o discurso de Trump terá como tema principal a construção de um país "seguro, forte e orgulhoso (...), justamente o que o presidente fez em seu primeiro ano de governo".

Nesta terça-feira, o presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan, disse à imprensa que é "um estímulo" poder "escutar este discurso sendo que o estado do país é tão brilhante. Os salários sobem e a confiança na economia está de volta".

Enquanto isso, o líder da bancada republicana, Mitch McConnell, minimizou a visão de um país irremediavelmente dividido. "Tivemos no passado debates violentos, até uma guerra civil. Acho que o que vemos agora é um enorme debate político", disse.

- Migração, o tema central -Desde que Trump chegou à Casa Branca, o índice Dow Jones subiu mais de 33% e o desemprego se encontra em seu menor nível dos últimos 17 anos.

Mas o tema central e excludente do discurso será a proposta feita pela Casa Branca sobre uma reforma migratória, que deve ser negociada no Congresso para destravar o diálogo e permitir a aprovação do orçamento federal.

O país ainda não tem um orçamento geral para o ano fiscal em curso e, desde dezembro, o Congresso autorizou apenas planos provisórios de gastos. O último deles vence, inexoravelmente, em 8 de fevereiro.

Para votar e aprovar um orçamento federal anual, a oposição do Partido Democrata exige que se defina uma solução para os 690.000 jovens imigrantes que regularizaram sua situação, a partir de 2012, por meio do programa Daca.

Esse contingente de imigrantes se viu mergulhado em um limbo jurídico em setembro do ano passado, quando Trump anunciou que seu governo não renovaria o Daca.

- Cartas na mesa -Na quinta-feira, a Casa Branca pôs as cartas na mesa, ao apresentar propostas que abrem caminho para que 1,8 milhão de imigrantes consigam a naturalização americana.

Essa porta aberta, no entanto, tem um preço elevado: o governo pede 25 bilhões de dólares para construir um muro na fronteira com o México, reforça drasticamente a vigilância fronteiriça, interrompe a imigração familiar, corta as vagas de imigrantes legais e suspende o sorteio de vistos.

Além disso, reforça os mecanismos de "remoção imediata" de imigrantes em situação irregular.

Esta proposta foi recebida com frieza de um modo geral. Os movimentos sociais condenam a inevitável divisão de famílias que se dará no país como consequência das medidas repressivas propostas.

Enquanto isso, os setores mais conservadores protestaram contra este 1,8 milhão de imigrantes que um dia foram ilegais, mas que no futuro poderiam se tornar americanos.

A importância crucial desta negociação se torna evidente na lista de convidados ao discurso de Trump: das 70 pessoas convidadas pelos legisladores a comparecer ao plenário, 23 são imigrantes beneficiados do programa DACA.

- Os outros temas -Além de insistir na urgência de resolver a questão migratória, Trump deve destacar suas conquistas de 2017 - em especial a reforma do sistema tributário - e delinear os eixos fundamentais de sua ação administrativa este ano.

Espera-se que o presidente faça um apelo ao Congresso para definir um ambicioso plano de investimentos de cerca de US$ 1 trilhão para reconstruir a infraestrutura do país no período de uma década.

Também fará menções à política de comércio exterior, outro pilar fundamental na gestão do presidente.

Trump deve ainda apresentar as linhas de sua política externa, na qual se destacam assuntos de extrema sensibilidade como a escalada de tensão com a Coreia do Norte, o futuro das relações com o Irã e o passo dado por Washington para reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Esse discurso materializa uma seção do artigo II da Constituição americana, que estipula que o presidente deve, periodicamente, "oferecer informação ao Congresso sobre o Estado da União".

O jovem congressista Joseph Kennedy, sobrinho neto do ex-presidente John F. Kennedy, apresentará a resposta oficial do Partido Democrata ao discurso de Trump.

Já a representante democrata de origem peruana pelo estado da Virgínia, Elizabeth Guzmán, ficará encarregada da resposta em espanhol, dirigida especificamente ao eleitorado hispânico.

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