Turquia intensifica bombardeios contra curdos na Síria

Afrîn, Síria, 30 Jan 2018 (AFP) - As forças turcas intensificaram nesta terça-feira (30) a ofensiva lançada há dez dias na região de Afrin, norte da Síria, dez dias após iniciar a violenta ofensiva para desalojar os combatentes curdos.

Os bombardeios da Força Aérea turca se concentraram nos setores de Rajo e de Jandairis, no noroeste e no sudoeste dessa região, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Nesses setores, as forças turcas e seus aliados rebeldes sírios enfrentam os combatentes curdos, segundo o OSDH.

"Desde segunda-feira, a Turquia intensificou seus bombardeios aéreos", acrescentou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Aviões de guerra turcos sobrevoam a cidade de Afrin, de onde se ouvem os bombardeios das colinas que a rodeiam, constatou a AFP.

- Comboio militar -Em 20 de janeiro, a Turquia lançou sua ofensiva no enclave de Afrin para expulsar a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG).

Ancara considera como terrorista esta milícia, que para Washington é um precioso aliado na luta contra os extremistas do Estado Islâmico (EI).

Em paralelo, na segunda-feira, o governo turco também reforçou suas posições militares no norte da Síria. Um comboio formado por dezenas de veículos militares cruzou a fronteira com o objetivo de alcançar um setor situado cerca de 40 quilômetros ao sul de Afrin.

O comboio foi alvo de um ataque com carro-bomba, segundo um comunicado do exército turco. Um trabalhador civil morreu e um soldado turco e outro funcionário civil ficaram feridos.

Desde que começou a ofensiva, 85 combatentes curdos e 81 milicianos aliados a Ancara morreram, acrescentou a ONG.

Segundo a mesma fonte, 67 civis, incluindo 20 crianças, foram mortos nos bombardeios turcos. Ancara garante que tem apenas combatentes e posições militares como alvo.

A intervenção turca em Afrin foi precipitada pelo anúncio por parte dos Estados Unidos de criar uma "força fronteiriça" de cerca de 30.000 homens, incluindo as milícias das YPG.

Ancara nunca aceitou a autonomia estabelecida pelos curdos no norte da Síria favorecida pela situação caótica que reina no país desde que começou o conflito em 2011. Teme que a comunidade curda da Turquia desenvolva aspirações similares.

- Novos detenções na Turquia -Nesta terça-feira, em discurso para a bancada de seu partido no Parlamento, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, voltou a insistir que a ofensiva "não vai parar até eliminarmos a ameaça terrorista da nossa fronteira".

Ignorando os apelos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e dos Estados Unidos, Ancara disse estar determinada a ampliar a ofensiva para o leste, em particular a cidade de Minbej, controlada pelos curdos e onde as tropas americanas se encontram estacionadas.

Na Turquia, as autoridades prenderam hoje 11 membros de uma associação médica que criticaram a ofensiva de Afrin.

Desde 20 de janeiro, 311 pessoas suspeitas de "propaganda terrorista" nas redes sociais contra a ofensiva foram detidas, segundo o Ministério do Interior.

Em paralelo, na frente diplomática, a conferência de paz de Sochi organizada pela Rússia começou hoje em meio ao ceticismo sobre suas potenciais conquistas.

Após as malsucedidas negociações de quinta e sexta passadas em Viena promovidas pela ONU, a iniciativa de Moscou busca pôr fim ao conflito que já deixou mais 340.000 mortos na Síria desde 2011.

As autoridades curdas da região semiautônoma da Síria, objeto da ofensiva turca, anunciaram que não vão participar do conflito em curso. Tampouco há autoridades do governo de Damasco, ou dos principais componentes da oposição a Bashar al-Assad.

Em outra frente, na província de Idlib, no noroeste da Síria, 14 pessoas, sendo oito civis, morreram em bombardeios aéreos do governo sírio, segundo o OSDH. Na véspera, 21 civis haviam sido mortos em circunstâncias similares.

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