Em discurso ao Congresso, Trump mira na Coreia do Norte e no Irã

Washington, 31 Jan 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou o discurso mais importante neste primeiro ano de governo para alertar sobre o poderio nuclear da Coreia do Norte, em meio a temores sobre a possibilidade de um conflito armado.

Nas últimas semanas, funcionários americanos já prepararam o terreno para uma mudança de estratégia em relação a um mundo de concorrência mais forte com potências como Rússia e China.

Em seu discurso sobre o Estado da União, Trump disse que China e Rússia "ameaçam nossos interesses, nossa economia e nossos valores", mas reservou as palavras mais duras para Coreia do Norte e Irã.

"A irresponsável busca da Coreia do Norte de possuir mísseis nucleares pode muito em breve ameaçar nossa terra", afirmou o presidente, sugerindo que tem uma janela cada vez mais reduzida para responder a essa situação.

"Estamos empenhados em uma campanha de máxima pressão para evitar que isso aconteça alguma vez", acrescentou.

O presidente deu essas declarações depois que um respeitado especialista em temas da península coreana apontado como futuro embaixador americano em Seul, Victor Cha, anunciou que abandonou sua aspiração por não concordar com a ideia de um ataque preventivo a Pyongyang.

O secretário de estado americano, Rex Tillerson, e o da Defesa, Jim Mattis, promoveram uma estratégia diplomática para convencer o líder norte-coreano Kim Jong-un a negociar um abandono de seu empenho na busca de armas nucleares.

Mas outras figuras do governo parecem apoiar a ideia de um ataque surpresa para abalar o setor nuclear da Coreia do Norte e mostrar que os Estados Unidos estão dispostos a agir, na esperança de evitar um conflito maior.

Cha escreveu no jornal "The Washington Post" que renunciava ao desejo de ser embaixador em Seul por considerar que "um ataque [...] apenas adiará os programas nucleares e de construção de mísseis, que estão enterrados em lugares desconhecidos, impenetráveis a bombas especiais".

- Complacência e concessões -"Um ataque não eliminaria a ameaça de proliferação. Pelo contrário, iria impulsioná-la", acrescentou, sugerindo que a Coreia do Norte pode tentar passar armas nucleares para "atores maus" por dinheiro, ou por vingança.

Cha também apontou que milhões de sul-coreanos e milhares de americanos e tropas correriam risco imediato de um contra-ataque norte-coreano.

"O presidente pode pôr em risco uma população americana do tamanho de uma cidade média", alertou.

Em seu discurso ao Congresso, Trump sugeriu que não está com paciência para acordos sem resultados.

"A experiência passada nos ensinou que a complacência e as concessões geram apenas agressão e provocação", garantiu.

Para o presidente, "basta contemplar o caráter depravado do regime norte-coreano para entender a natureza da ameaça nuclear que ele representa para os Estados Unidos e para nossos aliados".

Trump também elevou o tom de suas críticas ao Irã, manifestando o apoio de seu governo aos recentes protestos nas ruas de Teerã.

O presidente voltou a se comparar com seu antecessor Barack Obama e sugeriu que foi um erro não ter apoiado a chamada "Revolução Verde" do Irã em 2009.

"Quando o povo do Irã se ergueu contra os crimes de sua ditadura corrupta, não fiquei calado", disse.

Os Estados Unidos - completou Trump - "estão junto do povo do Irã em sua corajosa luta pela liberdade".

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