Imigrantes em situação ilegal na primeira fila do discurso de Trump

Washington, 31 Jan 2018 (AFP) - Cerca de 20 imigrantes em um limbo jurídico acompanharam na terça-feira (31) o discurso do presidente Donald Trump sobre o Estado da União da primeira fila das tribunas, como testemunhas de um momento histórico.

O discurso de Trump na sessão conjunta das duas casas do Congresso foi acompanhado por imigrantes do Chile, Guatemala, Uruguai, México e Coreia do Sul, como convidados especiais para a cerimônia dos legisladores do Partido Democrata.

Trata-se dos famosos "dreamers", que chegaram ao país na infância, trazidos por seus pais, e regularizaram sua situação desde 2012 por um programa conhecido pela sigla Daca, um projeto que Trump decidiu não renovar.

Após a decisão do presidente, cerca de 690.000 imigrantes que regularizaram sua situação se viram em um verdadeiro limbo. Eles poderão perder seu status migratório, a menos que o Congresso aprove uma lei alternativa nas próximas semanas.

- Jovens no limbo -Nas tribunas do plenário, esses imigrantes ouviram Trump defender uma oferta controversa da Casa Branca.

Essa proposta abre a porta para a naturalização de 1,8 milhão de imigrantes, mas restringe todo tipo de imigração, promove a remoção imediata de imigrantes ilegais, limita a migração familiar para cônjuges e filhos menores e suspende o famoso sorteio de vistos.

"É hora de reformar essas regras migratórias obsoletas e, finalmente, trazer o nosso sistema migratório para o século 21", disse Trump em seu discurso.

O objetivo da presença desses imigrantes era que "o presidente visse o rosto dos jovens que contribuem para o nosso país todos os dias", indicou Michelle Lujan Grisham, a democrata que preside a bancada hispânica no Congresso.

"Eles são completamente americanos, exceto que não têm documentos", afirmou o senador democrata Cory Booker, que convidou uma empresária de 29 anos que fundou uma start-up que emprega cerca de 900 trabalhadores em tempo parcial, apesar de ter chegado ilegalmente do México quando tinha sete anos de idade.

- 'Minha vida está aqui' -"Minha vida está aqui, sou americano, embora não tenha documentos", disse Juan López, um estudante de Ensino Médio de 18 anos que chegou há 16 de Montevidéu, no Uruguai.

Ele renovou seu Daca a tempo de conseguir alguns anos de tranquilidade, mas espera, como os outros, que o Congresso finalmente vote para regularizar e naturalizar "dreamers" como ele.

"Quero ouvir uma declaração clara, seja qual for", afirmou uma jovem de 24 anos, 22 deles nos Estados Unidos, cujo nome reflete a esperança de seus pais para uma vida melhor: América Moreno Jiménez.

"Pelo menos assim poderemos planejar nosso futuro", completou.

Os "dreamers" também estão preocupados com a situação de seus pais, que nem o Executivo nem os legisladores republicanos planejam regularizar nesta fase.

"Nossos pais também são parte dessa sociedade", argumentou Fernanda, uma jovem em situação ilegal nascida há 20 anos em El Salvador e que chegou aos Estados Unidos aos 12.

- Borboleta e migrações -O México e o chamado Triângulo Norte (El Salvador, Guatemala e Honduras) são os países de origem de aproximadamente 70% dos "dreamers", de acordo com o centro de estudos migratórios Migration Policy Institute.

No plenário, os congressistas democratas exibiram em suas roupas um adesivo de borboleta, símbolo da "beleza das migrações".

Já os conservadores anti-imigração não gostaram de ver tantos "indocumentados" no discurso sobre o Estado da União. Além disso, desde que o então presidente Barack Obama os convidou pela primeira vez em 2013, o número cresce a cada ano.

O legislador republicano Paul Gosar, do Arizona, pediu à Polícia do Capitólio que verificasse a identidade de todos os convidados para o discurso e que expulsasse qualquer estrangeiro em situação não regularizada.

O protesto entre os democratas e alguns republicanos foi imediato.

"Eu só digo ao legislador: tente fazer isso", respondeu a democrata do Texas Sheila Jackson Lee.

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