Lesões cerebrais observadas no estudo de diplomatas dos EUA em Cuba

Miami, 15 Fev 2018 (AFP) - Um estudo com 21 diplomatas americanos que alegaram que foram vítimas de misteriosos ataques acústicos em Cuba mostra que eles sofreram lesões cerebrais sem qualquer trauma aparente na cabeça, disseram pesquisadores dos EUA nesta quinta-feira (15).

Pesquisadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia examinaram 21 funcionários do governo dos EUA que se queixaram de sintomas parecidos com uma concussão depois de servir em Havana em 2016 e 2017.

"Esses indivíduos pareciam ter uma lesão sustentada em várias redes do cérebro sem histórico associado de traumatismo craniano", disse o estudo, publicado na revista Journal of the American Medical Association (JAMA).

Tonturas, dores de cabeça, dor nas orelhas, problemas de audição, dificuldade de concentração e de leitura, sensibilidade à luz e insônia estavam entre os sintomas relatados.

Muitos sofreram os efeitos por mais de três meses, e os sintomas eram tão graves que os impediam de trabalhar.

Dezoito dos 21 indivíduos relataram ouvir um som "localizado no início dos sintomas em suas casas e quartos de hotel".

Eles descreveram os sons como "direcionais, intensamente altos e com uma tonalidade pura e sustentada".

Alguns disseram que sentiram algo parecido com uma pressão ou uma sensação de vibração.

Três disseram que não ouviram nenhum som.

"Ambos os estímulos sensoriais e sonoros foram frequentemente descritos como direcionais, na medida em que os indivíduos perceberam uma direção distinta da qual a sensação emanava", afirmou o relatório no JAMA.

Algumas pessoas disseram que depois que mudaram de local, "a sensação desapareceu e os sintomas associados diminuíram".

Ressonâncias magnéticas foram realizadas e os resultados não mostraram anormalidades.

Um editorial no JAMA disse que uma "explicação unificadora para os sintomas experimentados pelos funcionários do governo dos EUA descritos nesta série de casos permanece elusiva e o efeito de uma possível exposição a fenômenos acústicos não está claro".

Os pesquisadores também disseram que "não está claro se ou como o ruído está relacionado aos sintomas relatados", uma vez que os sons na faixa audível (20 Hz-20,000 Hz) "não são conhecidos por causar danos persistentes ao sistema nervoso central".

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