Maduro denuncia complô para desatar conflito com a Colômbia

Caracas, 17 Fev 2018 (AFP) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciou nesta sexta-feira (16) que o Exército colombiano está treinando venezuelanos para simular ataques contra as forças do país vizinho e, assim, justificar um "conflito armado" binacional.

"Pretendem (...) utilizá-los em ataques de falsos positivos como se fossem membros do Exército da Venezuela para criar uma desculpa que o Pentágono e o Comando Sul [dos Estados Unidos] pedem para um conflito armado entre a Venezuela e a Colômbia, denuncio à comunidade internacional", disse Maduro durante um conselho de ministros.

O presidente assegurou que os supostos soldados estão "totalmente identificados" e que "vão formá-los no próximo 5 de março em Pamplona", no departamento (estado) colombiano do Norte de Santander.

"Vão dar-lhes uniforme venezuelano com armamento para que entrem no território e em algum momento cometam alguma má ação, algum taque que seja tomado como desculpa pelo governo da Colômbia para declarar um conflito armado", acrescentou, durante ato transmitido pela TV pública.

O chefe de Estado disse ter "provas físicas" que seu ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, mostrará ao contraparte colombiano, Luis Carlos Villegas, durante uma reunião cuja data ainda não foi acertada.

"Espero que os dois ministros se reúnam muito em breve", expressou.

Mais cedo, o ministro do Interior venezuelano, Néstor Reverol, afirmou que com este plano "poderiam se dar as condições para gerar eventos graves, que seriam utilizados pelo governo colombiano como falsos positivos e, asism, poder justificar uma ação ingerencista".

Segundo Reverol, o presidente Maduro teria recebido as provas de membros do próprio Exército colombiano.

O funcionário assegura que já foram "treinados" e "doutrinados" 150 venezuelanos - com predileção por quem "tem experiência militar ou policial" -, os quais recebem documentos de identidade da Colômbia.

Colômbia e Venezuela planejam celebrar sua primeira reunião de defesa desde 2016 para abordar temas de segurança da região fronteiriça e a preocupação de Bogotá com ataques da guerrilha do ELN no lado venezuelano da fronteira, segundo acertado por Padrino e Villegas.

As relações entre os dois governos estão em franca deterioração. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, chama de "ditadura" o governo de Maduro, e o culpa pelo êxodo de centenas de milhares de venezuelanos que fugiram para a Colômbia devido à crise econômica.

Maduro, no entanto, havia dito na quarta-feira que seu contraparte colombiano o convidou a uma reunião para discutir o reforço de medidas de segurança na fronteira comum, com as quais disse estar de acordo.

O governo de Maduro costuma denunciar conspirações dos Estados Unidos para depô-lo com ajuda da "direita" venezuelana e colombiana.

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