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Internacional

Abbas defenderá criação do Estado palestino na ONU

20/02/2018 00h43

Nações Unidas, Estados Unidos, 20 Fev 2018 (AFP) - O presidente palestino, Mahmud Abbas, fará um pronunciamento raro nesta terça-feira (20) no Conselho de Segurança da ONU para pedir o reconhecimento da Palestina como Estado integrante da ONU e rejeitar uma mediação única dos Estados Unidos no processo de paz.

Seu "cara a cara" com a embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, será "interessante", afirmaram diplomatas.

No fim de janeiro, Haley havia acusado Abbas de falta de coragem. "Não vamos correr atrás de autoridades palestinas que não têm o que se deve ter para alcançar a paz", disse na ocasião.

"Para obter resultados históricos, temos a necessidade de dirigentes corajosos", acrescentou.

O presidente palestino, que interveio perante o Conselho de Segurança em 2008 e 2009, "deveria se expressar (na terça-feira) de forma combativa, mas moderada", avaliaram diplomatas.

Ele fará menção, "sem dúvida", ao seu desejo de reconhecimento da Palestina pela ONU, mas deveria, sobretudo, pedir "uma ação coletiva do Conselho de Segurança".

Segundo autoridades palestinas, Abbas pedirá negociações com Israel fora da égide exclusiva dos Estados Unidos, e também voltará a denunciar a decisão de Washington de reconhecer unilateralmente Jerusalém como capital de Israel.

"Poderíamos aceitar diferentes formatos" para estas negociações, afirmou Nasser al-Qudwa, um dos representantes palestinos.

"Poderiam, por exemplo, ocorrer sob a égide do chamado Grupo dos P5 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha), ou do P5+1 (os mesmos, mais a Alemanha), ou um 'Quarteto ampliado', ou no âmbito de uma conferência internacional de paz", detalhou.

A Palestina é desde 2012 um "Estado observador não membro" da ONU, o que lhe permite integrar agências da organização e se somar à Corte Penal Internacional, mas não é integrante pleno das Nações Unidas, apesar de ter sido reconhecida por mais de 130 países.

Abbas se nega a manter contato direto com o governo de Donald Trump desde o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel no fim de 2017, uma decisão que desacreditou os Estados Unidos como mediador no processo de paz no Oriente Médio aos olhos dos palestinos.

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