ETA submete sua dissolução a debate e votação

Madri, 22 Fev 2018 (AFP) - A organização separatista basca ETA submeteu sua dissolução a um debate e a uma votação interna - informa o jornal Gara, que publica trechos de uma carta da direção do grupo, favorável ao fim do mesmo.

"Cabe-nos encerrar o tempo de conflito armado e as respectivas situações, para oferecer toda nossa força para potencializar o processo político", escreve a direção do ETA em um documento ao qual o Gara teve acesso e que, segundo o jornal, é o texto que está sendo debatido e votado.

O jornal destaca que a conclusão deve acontecer antes do verão (hemisfério norte) e indica que está havendo uma alta participação "para dar maior amplitude e solidez a esta transcendental decisão".

"A situação mais benéfica para nós, assim como para os setores populares e a classe trabalhadora basca, é deixar a fase anterior definitivamente para trás e abrir totalmente a nova", escreve a cúpula do ETA na proposta.

Em declarações à rádio Cadena SER, o ministro do Interior, Juan Ignacio Zoido, não confirmou se o governo espanhol está ciente dessa votação e, quando perguntado se o fim definitivo do ETA seria este ano, afirmou "que neste momento carece de elementos de julgamento para dizer se isso acontecerá".

Em abril de 2017, o ETA anunciou um debate interno sobre seu futuro depois de finalizar o "desarmamento".

No texto da época, redigido em euskera (idioma basco) e que classificava de "êxito" o desarmamento da organização, o ETA já apontava que tomaria "decisões entre todos os seus membros para avançar", recorda o Gara, jornal que publica os comunicados do grupo.

Após mais de quatro décadas de violência que deixaram 829 mortos em ações atribuídas ao grupo, em 2011, o ETA renunciou à luta armada pela independência do País Basco e Navarra.

Em 8 de abril de 2017, a organização anunciou o "desarmamento total" com a entrega à Justiça francesa, por meio de intermediários, de uma lista de oito depósitos de armas e de explosivos na França.

A organização, que teria entre 20 e 30 membros na clandestinidade e os demais, menos de 400, em presídios da França e da Espanha, tradicionalmente toma suas decisões após debates internos.

Neste caso, o anúncio aconteceria a tempo de render benefícios políticos, antes das eleições municipais de maio de 2019.

A este respeito, o documento posto em votação e citado pelo Gara ressalta que a esquerda pró-independência basca "mostrou maturidade e capacidade de combate e é muito mais efetiva para materializar o desafio que enfrentamos hoje".

Atualmente, a coalizão separatista de esquerda EH Bildu é a segunda força no Parlamento regional, atrás do Partido Nacionalista Basco (PNV), do presidente Íñigo Urkullu, que não é favorável à promoção da separação.

Até abril de 2017, o ETA resistiu ao desarmamento incondicional e à dissolução que eram exigidos pelos governos de Madri e Paris. A organização desejava antes uma negociação sobre o futuro de seus integrantes e de seus presos.

O governo de Mariano Rajoy sempre exigiu que o ETA pedisse perdão e anunciasse sua dissolução, ao mesmo tempo em que garantiu que não haverá impunidade por seus crimes, nem tratamento favorável pelo desarmamento.

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