Rei Salman destitui a cúpula do exército da Arábia Saudita

Riad, Arábia Saudita, 27 Fev 2018 (AFP) - O rei Salman da Arábia Saudita fez uma mudança importante na cúpula militar, ao destituir os principais comandantes, como o chefe do Estado-Maior, e nomear jovens dirigentes, incluindo uma mulher, a cargos de responsabilidade.

Em uma série de decretos publicados na segunda-feira, o soberano saudita, de 82 anos, aprovou um "plano de desenvolvimento do ministério da Defesa, em conformidade com uma estratégia de defesa nacional" iniciada por seu filho, o príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, de 32 anos, informou a imprensa estatal.

O monarca substituiu os comandantes das forças terrestres e da Defesa antiaérea, assim como funcionários civis, incluindo vice-ministros.

As medidas foram adotadas por recomendação do príncipe herdeiro, que também é ministro da Defesa, segundo várias fontes.

Fim dos serviços do general Abdul Rahman bin Saleh al-Bunyan, chefe do Estado-Maior", assinalou a agência de notícias saudita SPA, acrescentando que ele foi substituído por Fayyad al-Ruwaili.

As autoridades não apresentaram nenhuma explicação oficial para as mudanças nas forças militares sauditas, que participam de um violento conflito no Iêmen, onde apoiam as forças do governo contra os rebeldes xiitas huthis, há três anos.

O general Al-Bunyan foi destituído após ter inaugurado em Riad uma feira militar organizada pelas Indústrias Militares Sauditas (SAMI), a empresa de defesa nacional, que atraiu várias empresas internacionais do setor.

- Uma ministra -O rei Salman também anunciou várias nomeações de civis. Jovens funcionários ocuparão postos chaves como os de vice-ministros, vice-governadores de províncias e conselheiros da corte.

Quase 70% da população saudita tem menos de 30 anos e o príncipe herdeiro tenta promover personalidades de sua geração.

Tamadar bin Yussef al-Ramah foi nomeada vice-ministra de Trabalho e Desenvolvimento Social, um posto sem precedentes para uma mulher no reino conservador.

O príncipe Turki bin Talal, irmão do príncipe bilionário Al Waleed bin Talal, foi designado vice-governador da província de Asir.

O príncipe Al Waleed foi uma das pessoas do reino detidas no luxuoso hotel Ritz-Carlton de Riad em uma operação sem precedentes contra a corrupção.

Cinquenta e seis das 381 pessoas interrogadas nesta operação, iniciada em novembro, permanecem detidas. Os acordos com alguns suspeitos permitiram, segundo as autoridades, recuperar mais de 107 bilhões de dólares desviados sob a forma de imóveis, bens comerciais, ações e em dinheiro.

O príncipe herdeiro Mohamed bin Salman segue consolidando há meses seu controle sobre o poder e promovendo importantes reformas econômicas e sociais no país.

O jovem príncipe, filho do rei Salman, é partidário de uma política regional firme, o que levou Riad a intervir no vizinho Iêmen em 2015, em um conflito considerado uma guerra indireta contra o Irã, o grande inimigo dos sauditas na região.

A ONU qualifica a guerra no Iêmen, que já deixou mais de 9.200 mortos e cerca de 53 mil feridos, como a "pior crise humanitária no mundo" na atualidade.

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