Continuam bombardeios em Ghuta Oriental, onde não chega ajuda humanitária

Paso de Al Wafadin, Syrie, 1 Mar 2018 (AFP) - As forças sírias e russas mantiveram nesta quinta-feira (1) a pressão sobre o enclave rebelde de Ghuta Oriental, enquanto a trégua unilateral segue sem ter os efeitos humanitários esperados no terreno.

Mais de 40 caminhões carregados de ajuda humanitária não conseguiram entrar no enclave sitiado desde 2013, onde vivem 400 mil pessoas, o que levou a ONU a pedir novamente a aplicação do cessar-fogo na área, aprovado no sábado.

Uma "pausa" diária de cinco horas, anunciada na segunda-feira por Moscou, resultou em uma diminuição dos bombardeios, que mataram centenas de pessoas desde 18 de fevereiro.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), 613 civis, incluindo cerca de 150 crianças, perderam a vida até a data, e mais de 3.500 ficaram feridas.

A Força Aérea síria realizou bombardeios nesta quinta-feira antes das 09h00 locais, quando começou a "trégua", disse o OSDH. Como nos dois últimos dias, os bombardeios do governo foram retomados ao fim desta pausa, às 14h00, e continuaram os confrontos entre o regime e grupos rebeldes, explicou a mesma fonte.

- 'Praticamente não há vida' -O corredor humanitário instaurado pela Rússia para que os civis possam evacuar a zona continuava ostensivamente vazio nesta quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo.

Os únicos civis que conseguiram deixar Ghuta Oriental esta semana foram um casal de paquistaneses de cerca de 70 anos, segundo o Crescente Vermelho.

O Exército russo acusou nesta quinta-feira os grupos rebeldes de impedirem os civis de deixarem o enclave.

"Nos últimos três dias, as pessoas não puderam sair de Ghuta Oriental. Formações armadas ilegais os pegaram como reféns e não os deixavam partir", assinalou o Exército russo em comunicado, afirmando que "dezenas" de pessoas tentaram.

Os insurgentes negam as acusações e asseguram que os habitantes temem deixar o enclave e terminar nas mãos do governo, ou morrer nos bombardeios.

Além disso, os combates em terra entre as forças do governo e o grupo rebele Jaish al-Islam continuavam seu curso em Al-Shaifuniyah, a nordeste do enclave, muito destruído nos últimos dias.

"Praticamente não há vida ali, a zona está completamente destruída e os civis estão enterrados sob os escombros", declarou à AFP Siraj Mahmud, porta-voz dos socorristas dos Capacetes Brancos, que operam em zonas rebeldes.

Em Hazeh, uma localidade da Ghuta Oriental, um bombardeio destruiu parte de um edifício em 20 de fevereiro, em cujo porão havia 21 pessoas refugiadas.

"Deixei minha filha no subsolo com seu marido e sua filha", explicou Abu Mohamed, de 60 anos. "Voltei no dia seguinte, encontrei o edifício destruído e ainda não achei minha filha".

Por enquanto os socorristas conseguiram retirar seis corpos.

Segundo a ONU, três quartos das casas do enclave rebelde ficaram danificadas, enquanto centenas de civis feridos, ou doentes, precisam urgentemente ser evacuados.

Os moradores da zona tentam sobreviver apesar da escassez de alimentos e remédios, fruto de um cerco asfixiante imposto pelo governo.

ONU e organizações humanitárias asseguraram que cinco horas é pouco tempo para fazer a ajuda chegar.

O governo, apoiado militarmente pela Rússia, tenta recuperar desde 2015 o enclave rebelde, área de lançamento de obuses contra Damasco.

Oito soldados turcos morreram e 13 ficaram feridos nesta quinta-feira no âmbito da ofensiva realizada pela Turquia contra uma milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG) na região de Afrin, no noroeste da Síria.

Com estas novas baixas, o número de soldados turcos mortos desde o início da operação "Ramo de Oliveira", em 20 de janeiro, sobe para ao menos 40.

Em quase sete anos, a guerra na Síria, desencadeada pela dura repressão do governo de Bashar al-Assad de manifestações pró-democracia, deixou mais de 340 mil mortos e milhões de deslocados.

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