Londres pede reunião do Conselho de Segurança por caso de ex-espião russo envenenado

Em Londres

  • Henry Nicholls/Reuters

    Equipes especializadas trabalham no banco em que o ex-espião Sergei Skripal e sua filha Yulia foram envenenados com um agente neurotóxico no Reino Unido

    Equipes especializadas trabalham no banco em que o ex-espião Sergei Skripal e sua filha Yulia foram envenenados com um agente neurotóxico no Reino Unido

O Conselho de Segurança das Nações Unidas se reunirá nesta quarta-feira (14) a pedido do Reino Unido para abordar o caso do ex-espião russo envenenado na Inglaterra. Londres deve informar aos membros do Conselho durante a reunião de emergência sobre o agente neurotóxico que deixou o ex-espião Sergei Skripal e sua filha em estado crítico, afirmou a representação britânica ante a ONU.

O governo britânico também deve anunciar ainda nesta quarta as represálias contra a Rússia pela tentativa de assassinato do ex-espião russo em solo inglês, depois que Moscou ignorou o ultimato britânico para que desse explicações sobre o caso. Entre as possibilidades de Londres, citadas nos últimos dias, estão a expulsão de diplomatas, o lançamento de um ciberataque ou a apreensão de bens dos membros do círculo de Vladimir Putin suspeitos de violação dos direitos humanos.

Diante da falta de explicações por parte de Moscou, a premiê britânica, Theresa May, reuniu nesta quarta seu Conselho de Segurança Nacional.

Serguei Skripal, de 66 anos, foi encontrado em 4 de março em estado crítico junto com sua filha Yulia em um parque em Salisbury (sul da Inglaterra), onde vivia há anos. Um policial que tentou ajudá-los também se encontra em estado grave. Moscou insistiu em sua inocência, atribuiu as acusações a uma tentativa de desprestígio e pediu a Londres amostras da substância. usada no ataque.

"Moscou não admite as acusações sem provas e não verificadas, e a linguagem dos ultimatos", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, antes de acrescentar que a Rússia "espera que o bom senso prevaleça". "A Rússia não tem qualquer relação com o que aconteceu no Reino Unido", insistiu.

"Esperamos que se imponha o bom senso e que outros países pelo menos se questionem se existe, ou não, uma prova, e se as condenações contra Moscou são justificadas", disse o porta-voz do Kremlin, reiterando que a Rússia está aberta a cooperar em uma investigação sobre as causas do incidente".

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta quarta que Moscou muito provavelmente está por trás do envenenamento. "Expresso minha total solidaridade para com a primeira-ministra [británica] @theresa_may frente ao brutal ataque, muito provavelmente inspirado por Moscou", escreveu Tusk em seu Twitter.

A crise entre Moscou e Londres pode agravar-se após a morte de outro exiliado, Nikolái Glushkov, de 69 anos. Ele foi encontrado morto em seu domicílio em New Malden, um subúrbio de Londres, segundo a imprensa britânica. Glushkov, cuja morte ainda não foi confirmada oficialmente, era próximo ao milionário Boris Berezovski, um inimigo do Kremlin que foi encontrado enforcado em 2013 no Reino Unido.

Como na Guerra Fria

Robert Hannigan, ex-diretor da agência britânica de escutas telefônicas, a GCHQ, aventou que May procederá "à expulsão de diplomatas em uma escala não vista desde a Guerra Fria". Hannigan afirmou, falando à rádio BBC, que o governo deveria atacar os alvos econômicos, referindo-se aos magnatas russos instalados em Londres, onde acumulam importantes ativos imobiliários.

Também pede-se o bloqueio das transmissões no Reino Unido da RT --a rede de televisão pública russa-- ou o fechamento de sua sucursal em Londres, mas Moscou já avisou que, neste caso, responderia com a proibição ao trabalho de toda a mídia britânica na Rússia.

O cientistas que revelou o programa de armas químicas russo, Vil Mirzayanov, que agora vive nos Estados Unidos, disse que apenas os russos fabricam o poderoso agente neurotóxico "Novichok" usado no atentado. "Eles o possuem e continuam mantendo-o em segredo", explicou Mirzayanov, que acredita que as duas vítimas, pai e filha - também há um policial hospitalizado, mmas em melhores condições - morrerão ou ficarão em uma condição muito ruim pelo contato com a substância.

"É uma autêntica tortura, é impossível de imaginar. Ainda em pequenas doses, a dor pode durar semanas. O horror é inimaginável", explicou o jornal britânico Daily Mail sobre este gás que paralisa e impede de respirar antes de matar.

May era ministra do Interior na época do assassinato, em Londres, de Alexander Litvinenko, em 2006, um crime com uma sustância radioativa (polônio-210) cometido com o consentimento de Putin, segundo as conclusões da investigação oficial. A resposta se limitou à expulsão de vários diplomatas e o congelamento de alguns poucos bens.

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