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Internacional

Juiz espanhol confirma acusação contra 13 separatistas catalãs

23/03/2018 09h23

Madri, 23 Mar 2018 (AFP) - O juiz espanhol responsável pelo processo contra a cúpula separatista catalã confirmou nesta sexta-feira (23) a acusação de "rebelião" contra 13 personalidades - entre elas, o ex-presidente Carles Puigdemont e o candidato a presidir a região, Jordi Turull.

Nos autos, o juiz do Tribunal Supremo Pablo Llarena acusa Turull, porta-voz do governo de Puigdemont, de rebelião e também de malversação de recursos públicos, por seu papel na organização do referendo ilegal de independência de 1º de outubro.

Turull "administrou e planejou a inserção publicitária do referendo, além de coordenar as infraestruturas de informática postas a serviço da celebração do referendo", destaca o texto.

Os recursos públicos empregados para o referendo foram da ordem de 1,6 milhão de euros.

Turull, que na quinta-feira não obteve apoio suficiente no Parlamento catalão e deve, em princípio, submeter-se a uma segunda votação no sábado, era esperado para comparecer perante o juiz hoje para saber se, como medida cautelar, seria posto em prisão preventiva.

O crime de rebelião, passível de até 30 anos de prisão, pesa sobre nove membros do ex-governo catalão, incluindo o ex-presidente Carles Puigdemont. Ele foi afastado do poder junto com toda sua equipe pelo Executivo central espanhol após a declaração unilateral de independência de 27 de outubro.

Também recebe a mesma acusação a ex-presidente do Parlamento regional Carme Forcadell, dois líderes de associações separatistas (Jordi Sánchez e Jordi Cuixart) e Marta Rovira, número dois do partido separatista Esquerra Republicana de Catalunya (ERC).

Rovira era esperada para comparecer perante a Justiça nesta sexta, mas ignorou a convocação e, em carta, anunciou que partiria para o "exílio". Não especificou seu destino.

"Hoje empreendo um caminho duro (...) o caminho do exílio", afirmou na carta a número dois da Esquerra Republicana de Catalunya (ERC).

"A cada dia, a cada hora, sentia minha liberdade limitada por ameaças judiciais arbitrárias. Não me sentia livre. Não me reconhecia. Estas últimas semanas vivi em uma prisão interna", acrescentou Rovira, reeleita deputada nas eleições catalãs de 21 de dezembro.

Com essa decisão, Rovira é a sétima figura do separatismo catalão a deixar o país para evitar a Justiça, somando-se a outros nomes como Puigdemont, que hoje vive em Bruxelas.

Outros quatro conhecidos separatistas, entre eles o ex-vice-presidente regional e líder da ERC Oriol Junqueras, está em prisão preventiva.

Nos autos, Llarena diz que o processo por ele instruído "faz frente a um ataque ao Estado Constitucional", por parte de uma campanha, a separatista, que "integra uma gravidade e persistência inusitada e sem precedentes em nenhuma democracia do nosso entorno".

Ele também justifica dizendo que as "funções" atribuídas a cada um no processo separatista "parecem estar latentes e pendentes de retomada, uma vez que se recupere o pleno controle das competências autônomas" da Catalunha.

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