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Internacional

Bispo chinês reconhecido pelo Vaticano é detido

27/03/2018 12h27

Cidade do Vaticano, 27 Mar 2018 (AFP) - Um bispo chinês nomeado pelo Vaticano foi detido em sua diocese, o que pode afetar o histórico acordo que está para ser firmado entre a Santa Sé e a China, informou nesta terça-feira o site religioso especializado em notícias da Ásia, Asianews.

O bispo Vincent Guo Xijin, da diocese chinesa de Mindong (sudeste), foi preso junto com outro religioso, segundo denunciou a AsiaNews, subordinada ao Instituto Pontifício para as Missões no Exterior da Igreja católica.

A assessoria de imprensa do Vaticano não quis comentar a informação nesta terça-feira.

Trata-se de uma situação delicada pela proximidade de um acordo entre os dos Estados para a nomeação conjunta de bispos, um primeiro passo para a aproximação após o rompimento das relações diplomáticas em 1951.

Procurada pela AFP, a polícia local chinesa afirmou que não tem informações sobre a detenção do bispo.

O bispo Guo, de 59 anos, foi nomeado pelo Vaticano, mas não é reconhecido pelas autoridades comunistas chinesas, da qual depende a chamada Igreja Patriótica.

Segundo o site AsiaNews, Guo foi convocado na segunda-feira pelo Departamento de Assuntos Religiosos chinês, depois foi à sua residência para preparar uma maleta e partiu para um lugar desconhecido.

Segundo alguns fiéis consultados pelo site AsiaNews, o desaparecimento do bispo de Mindong se explica por sua negativa de celebrar os ritos da Semana Santa com Vincent Zhan Silu, um bispo nomeado pela China, que no passado foi excomungado por Roma.

Um membro da Anistia Internacional, Patrick Poon, solicitou ao governo chinês que comunique o paradeiro do bispo.

"É uma vergonha pressionar assim a um sacerdote, levá-lo sem nenhuma razão legítima. Trata-se de uma clara violação da liberdade religiosa", declarou Poon à AFP.

Em recentes declarações à imprensa, o número dois do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin adiantou que a Santa Sé aprovará a nomeação de sete bispos nomeados pela Igreja Patriótica, regulada pelo Partido Comunista chinês, um gesto simbólico antes do acordo.

Segundo a informação do jornal católico francês La Croix, uma delegação chinesa chegará esta semana a Roma e não se descarta que nessa ocasião se assine o acordo que deveria servir para estabilizar as relações entre os dois Estados.

Apesar da vontade do papa Francisco de normalizar as relações com o gigante asiático, importantes personalidades católicas se opõem ao acordo, entre elas o bispo emérito de Hong Kong, Joseph Zen, que, em uma carta pública, acusou o Vaticano de "se vender" ao regime comunista chinês.

bur-kv/mb/cc

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