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Internacional

Eleições na Costa Rica despertam medo de perdas nos direitos humanos

28/03/2018 15h35

San José, 28 Mar 2018 (AFP) - O segundo turno das eleições presidenciais na Costa Rica, nas quais um pregador evangélico aparece como favorito, desperta temores de um retrocesso em temos de direitos humanos em um país que se considera o mais progressista da América Central.

O bispo e ex-deputado Fabricio Alvarado disputa a votação de 1º de abril com o jornalista e cientista político Carlos Alvarado, um ex-ministro do Trabalho candidato pelo Partido Ação Cidadã (PAC, centro-esquerda, situação).

Apesar de terem o mesmo sobrenome, os dois candidatos não têm parentesco.

Fabricio Alvarado, um jornalista de 43 anos, se candidata pelo partido conservador Restauração Nacional (RN), um partido surgido das igrejas neopentecostais que proliferaram na Costa Rica nas últimas décadas.

O candidato do RN se tornou uma opção viável no primeiro turno eleitoral depois que anunciou, no dia 10 de janeiro, sua intenção de retirar a Costa Rica da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH), que um dia antes havia se pronunciado a favor do casamento homossexual.

A difusão de sua proposta o fez disparar nas pesquisas, nas quais não passava de 4% das intenções de voto, até se tornar o candidato mais votado no primeiro turno, dia 4 de fevereiro, com 24,9% dos votos, sobre os 21,6% de Carlos Alvarado.

Segundo uma pesquisa recente da Universidade da Costa Rica, o candidato evangélico tem 43% das intenções de voto frente aos 42% de seu rival.

- Avanço, dogma e exclusão? -Fabricio Alvardo disse que pretende reverter as diretrizes de educação sexual, transformar o Instituto Nacional da Mulher em um organismo para a família, e anular um decreto que veda a discriminação contra pessoas sexualmente diversas em instituições públicas.

Também defendeu a prática das igrejas evangélicas de oferecer tratamentos de "cura" para a homossexualidade, e já atacou o Tribunal Supremo Eleitoral por restringir o proselitismo político nas igrejas.

"Nessa eleição não se estão julgando coisas pequenas. Nesta eleição se está julgando a democracia, se está julgando a educação, a cultura e, sobretudo, se estão julgando os direitos humanos", advertiu recentemente o economista Leonardo Garnier, ex-ministro da Educação, no encerramento da campanha de Carlos Alvarado.

Garnier integra um setor social-democrata do Partido Libertação Nacional, o maior e mais tradicional do país, que deu adesão a Carlos Alvarado. Outros dirigentes dessa bancada apoiaram Fabricio Alvarado.

- Avanço ou retrocesso -"Na Costa Rica não podemos permitir atropelos contra os direitos humanos, nem ameaças de retirada dos marcos legais internacionais em que nos apoiamos", disse a diplomata costa-riquenha Cristiana Figueres, negociadora do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

"Estou muito preocupada de que algumas pessoas tenham escolhido focar esta eleição no direito pessoal de escolher a quem amar", acrescentou.

O candidato evangélico, entretanto, tem se esquivado de qualquer enfoque religioso na sua campanha e disse que em suas equipes trabalho em matéria de economia, esportes e infraestrutura "não há nenhum religioso".

Mesmo assim, muitos de seus simpatizantes o enxergam como alguém que aproximará país da religiosidade.

"Este país se afastou muito da fé, graças a Deus temos Fabricio, ele voltará a nos aproximar de Deus", comentou Elizabeth López, uma dona de casa que foi ver o candidato em um ato de campanha na comunidade popular de Río Grande de Pavas, oeste de San José.

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