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Lula, desafiado por Bolsonaro, encerra sua agitada caravana em Curitiba

28/03/2018 12h32

Curitiba, 28 Mar 2018 (AFP) - Curitiba vive um dia de muita tensão com a presença da caravana liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, nesta quarta-feira, deverá cruzar com grupos de adversários e o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro, depois de, na noite anterior, ter sido alvo de disparos de balas.

As forças de segurança do estado do Paraná reforçaram a vigilância, depois dos disparos na noite de terça-feira contra dois dos três ônibus da comitiva de Lula, ocorridos entre as localidades de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul.

Os disparos foram feitos por ao menos duas armas, já que a polícia identificou orifícios do lado esquerdo de um dos veículos e do lado direito do outro, indicou o delegado Fabiano Oliveira, de Laranjeiras do Sul, citado pela imprensa.

Lula viajava no terceiro ônibus, informou o Partido dos Trabalhadores (PT).

"Espero que nós tenhamos segurança, que a polícia nacional e estadual, a Inteligência possam cumprir seu papel para que, assim, a gente possa fazer uma manifestação pacífica e democrática como sempre fivemos", disse à AFP, por telefone, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O presidente Michel Temer, falando à rádio Bandnews de Vitória, considerou "uma pena que tenha acontecido isso porque vai criando um clima de instabilidade no país, de falta de pacificação, que é indispensável no presente momento".

"É absolutamente inaceitável que isso aconteça, parta de quem partir. Isso não é convivência democrática. Isso não pode acontecer, e se acontecer é preciso identificar os responsáveis porque não pode se repetir dentro do regime democrático", declarou, por sua vez, o ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann.

A comitiva do ex-presidente - favorito nas pesquisas para as eleições, apesar de ameaçado de ter sua candidatura invalidada por ter sido condenado a mais de 12 anos de prisão por corrupção - foi hostilizada ao longo do trajeto de dez dias em sua passagem pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Os protestos foram pequenos, mas não deram trégua.

"Se pensam que com pedras e tiros vão abalar minha disposição de lutar, estão errados", tuitou Lula, que atribuiu os ataques a "grupos fascistas".

O sul do país é hostil a Lula e, segundo a imprensa, vários assessores desaconselharam que ele empreendesse essa viagem. No ano passado, por outro lado, visitou o empobrecido nordeste, reduto de sua popularidade.

- Bolsonaro mede forças -Bolsonaro desafiou Lula a mostrar na capital paranaense "quem leva mais pessoas para as ruas sem pagar".

Dezenas de partidários do deputado ultraconservador se concentraram no aeroporto para esperar o candidato que elogia a ditadura militar (1964-85) e seus métodos de tortura.

Alguns exibiam bonecos com a figura do ex-paraquedista de 63 anos, segundo colocado nas pesquisas com metade das intenções de voto de Lula.

O estudante Gabriel Helse, de 15 anos, foi com vários colegas para pedir a militarização das escolas

"Agora os alunos fazem o que querem nas instituições federais. Olha só o Rio, aluno batendo nos professores, fazendo o que querem ... eu falo porque eu sou aluno de instituição federal", afirmou.

O Movimento Brasil Livre (MBL), muito ativo nos protestos que acompanharam o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016, convocou uma caminhada até o Parque Barigui, a menos de um quilômetro de Santos Andrade, onde se realizará o ato do PT.

"Há riscos de enfrentamentos", afirma o consultor e analista político Paulo Mora, que destaca uma radicalização crescente no país.

Os adversários de Lula se viram frustrados depois que o STF prorrogou até pelo menos 4 de abril sua prisão, pois nesta data os juízes decidirão se ele tem direito a apelar ante máximos tribunais sua longa sentença em liberdade.

"Por isso se vê essas hostilidades entre os dois movimentos no sul. Se Lula não for preso, teremos uma campanha marcada pela violência", acresentou Paulo Mora.

pr-js/cn

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