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Trudeau lamenta que papa negue desculpas aos povos aborígenes

28/03/2018 18h14

Ottawa, 28 Mar 2018 (AFP) - O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse nesta quarta-feira (28) que estava "muito decepcionado" de que o papa Francisco se negasse a oferecer pessoalmente desculpas às crianças aborígenes canadenses por terem sido arrancadas de suas famílias e submetidas a abusos sexuais em internatos católicos.

"Depois de examinar cuidadosamente a solicitação" de uma desculpa formal da Igreja, o papa "considerou que não pode responder pessoalmente", escreveu o bispo Lionel Gendron, presidente da Conferência Episcopal Canadense, em uma carta aos povos indígenas.

"Estou muito decepcionado pela decisão da Igreja Católica de não oferecer uma desculpa pelos internados", disse Trudeau a jornalistas.

O pedido ao papa Francisco foi feito em resposta a uma das recomendações feitas no final de 2015 pela Comissão da Verdade e da Reconciliação do Canadá.

O bispo Gendron, "consciente da dor" das vítimas e de suas famílias, estimulou os bispos a continuar "comprometidos com um intenso trabalho pastoral para a reconciliação, a cura e a solidariedade com povos autóctones".

Depois de ouvir durante seis anos os testemunhos de quase 7.000 ex-alunos, muitos dos quais haviam sido submetidos a maus tratos ou abusos sexuais, a comissão havia chegado à conclusão de que houve um "genocídio cultural".

No ano passado, o primeiro-ministro Trudeau convidou o papa Francisco a viajar para o Canadá para pedir desculpas aos povos indígenas em pró da reconciliação.

Desde final do século XIX até a década de 1970, mais de 150.000 crianças nativas norte-americanos, das etnias inuit e metis, foram tiradas de sus famílias e de sua cultura e obrigados a entrar em internatos administrados por instituições cristãs sob a autoridade do governo federal, onde muitos deles sofreram abusos.

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