Caso Skripal: Moscou insinua que Londres poderia estar por trás de envenenamento

Moscou, 2 Abr 2018 (AFP) - O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, sugeriu nesta segunda-feira (2) que o envenenamento do ex-espião Serguei Skripal poderia beneficiar o governo britânico, como uma distração dos problemas a respeito do Brexit.

Londres aponta, por sua vez, a responsabilidade de Moscou neste envenenamento com agente neurotóxico, que provocou uma das piores crises diplomáticas dos últimos anos, como "única explicação plausível", apesar das negações da Rússia.

No momento em que dezenas de diplomatas russos no exterior, ou estrangeiros na Rússia, terminam de fazer as bagagens, Lavrov chutou a bola para o campo de Londres.

"Isto pode ser do interesse do governo britânico, que estava em uma situação incômoda, dada sua incapacidade de cumprir as promessas para seu eleitorado sobre as condições do Brexit", apontou Lavrov.

"Também poderia interessar os serviços especiais britânicos, que são conhecidos por sua capacidade de atuar com permissão para matar", completou em coletiva de imprensa.

Segundo o chefe da diplomacia russa, seu país não tinha qualquer interesse em envenenar um ex-espião na véspera da eleição presidencial e a poucos meses da Copa do Mundo, que será organizada em seu território.

O ex-agente duplo havia sido condenado na Rússia por traição, antes de se beneficiar de uma troca de prisioneiros em 2010.

Segundo Lavrov, se cometido pela Rússia, um "ataque sofisticado" contra Serguei Skripal teria levado à "morte imediata" da pessoa visada. O ex-espião de 66 anos sobreviveu ao ataque e continua hospitalizado em estado crítico, mas estável.

Skripal foi envenenado com sua filha Yulia em 4 de março em Salisbury, na Inglaterra, com um agente neurotóxico concebido - segundo as autoridades britânicas - como parte do programa químico e nuclear soviético.

O estado de saúde Yulia, de 33 anos, melhorou consideravelmente, de acordo com o hospital de Salisbury, e Londres indicou no sábado que estuda o pedido da Rússia de obter acesso consular à vítima.

- 'Provocação flagrante' -No total, o Reino Unido e seus aliados, incluindo a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), anunciaram mais de 150 expulsões de diplomatas russos de seus territórios.

Londres também anunciou o congelamento das relações bilaterais.

A Rússia respondeu com medidas idênticas contra um número igual de diplomatas desses Estados e convocou os embaixadores de 23 países na sexta-feira (30).

Os últimos diplomatas russos que ainda não deixaram os países onde foram declarados persona non grata têm até o final do dia desta segunda-feira para fazê-lo. Sua saída das capitais ocidentais está sendo feita com grande discrição.

O diplomata russo expulso da Macedônia deixou o país na segunda-feira de manhã, informou a agência estatal TASS.

"Quando não temos provas, nos vingamos dos diplomatas", criticou Sergei Lavrov, acrescentando que a Rússia continuará aplicando o "princípio da reciprocidade" em suas relações com os ocidentais.

O ministro russo também acusou Reino Unido, Estados Unidos e seus aliados de "perda da decência" por recorrerem "a mentiras e à desinformação pura e simples".

A Rússia tem muitas perguntas sobre o tema e, "se o Reino Unido não responder, significará que se trata de uma invenção e, mais concretamente, de uma provocação flagrante", concluiu Lavrov.

Depois de expulsar 23 diplomatas britânicos em 17 de março e de fechar o consulado britânico em São Petersburgo, assim como o British Council na Rússia, Moscou pediu a Londres, no sábado, que reduza sua equipe diplomática de mais de 50 pessoas para alcançar uma "paridade" das missões diplomáticas.

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