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Premiê israelense suspende aplicação de acordo sobre migrantes africanos

02/04/2018 18h44

Jerusalém, 2 Abr 2018 (AFP) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta segunda-feira (2) a suspensão da aplicação do acordo alcançado com a ONU para a reinstalação em países ocidentais de migrantes africanos que vivem em Israel, como havia sido apresentado horas antes por seu governo.

"Decidi suspender a aplicação deste acordo e voltar a revisar os termos", afirmou Netanyahu em sua página no Facebook.

Acrescentou que está atento às críticas a este acordo que enviaria 16.250 migrantes africanos a países ocidentais e deixaria outros em Israel.

Netanyahu assegurou que visitará moradores do bairro sul de Tel Aviv, onde vive a maioria dos sudaneses e eritreus afetados, que anteriormente expressaram seu descontentamento com o acordo.

O governo israelense havia anunciado nesta segunda-feira a anulação de outro polêmico projeto de expulsão de migrantes africanos a seus países de origem e declarou ter assinado um novo acordo com a ONU para transferir parte dos migrantes a países ocidentais "desenvolvidos, como Canadá, Alemanha e Itália".

"O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e Israel chegaram a um acordo que permitirá a transferência de ao menos 16.250 migrantes africanos para países ocidentais, enquanto o Estado de Israel soluciona a situação dos que ficarem", indicou o comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense.

O governo israelense havia previsto dar aos migrantes a possibilidade de escolher entre ir antes do início de abril para seu país de origem, ou para outro país, ou ir à prisão.

Este projeto antigovernamental suscitou muitas críticas, especialmente do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Este plano alcançado com a ONU, agora suspenso, envolvia sobretudo milhares de sudaneses e eritreus que Israel admite não poder enviar a seus países sem colocar suas vidas em risco.

O governo eritreu foi acusado pela ONU de crimes "generalizados e sistemáticos" contra a humanidade.

O acordo suspenso tornava possível enviar uma parte dos migrantes para "países desenvolvidos, como Canadá, Alemanha e Itália". Em uma coletiva de imprensa transmitida pela televisão, Netanyahu havia qualificado a assinatura do acordo como "muito importante" para Israel.

"O acordo que assinamos estipula que, para cada migrante que sai do país, nos comprometemos a dar o status de residente temporário a outro", havia afirmado.

Segundo o Ministério do Interior israelense, 42 mil migrantes africanos, em sua maioria originários de Sudão e Eritreia, vivem em Israel. Destes, a metade - mulheres e crianças - não estava ameaçada por este projeto.

Estes migrantes africanos chegaram em sua maioria depois de 2007 do Sinai egípcio. A fronteira com o Egito era muito porosa nessa época, mas se tornou quase hermética atualmente.