Rebeldes sírios abandonam último reduto de Ghuta Oriental

Damasco, 2 Abr 2018 (AFP) - Os rebeldes começaram a abandonar a cidade de Duma nesta segunda-feira (2), abrindo caminho para o governo sírio retomar o controle total da Ghuta Oriental, o último reduto insurgente próximo a Damasco.

Após cinco semanas de intensos bombardeios que mataram 1.600 civis, todos os grupos insurgentes de Ghuta Oriental aceitaram abandonar seus redutos, uma vitória crucial para o presidente Bashar al-Assad.

Nos últimos dias, mais de 46.000 pessoas, quase 25% delas combatentes, chegaram às regiões rebeldes da província de Idlib, no noroeste do país.

Com as saídas, mediadas pela Rússia, o governo sírio agora controla 95% de Ghuta, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), após uma ofensiva devastadora iniciada em 18 de fevereiro.

Em Duma, última cidade rebelde de Ghuta, dominada pelo grupo Jaish al-Islam, a saída dos combatentes e de suas famílias começou na parte da tarde.

"Quatro ônibus com terroristas do Jaish al-Islam e suas famílias saíram de Duma", anunciou a televisão estatal. O governo classifica todos os rebeldes como "terroristas".

Os moradores que desejarem podem permanecer em Duma, ou regularizar sua situação, afirmou a TV.

Se desejarem, os combatentes do Jaish al-Islam, seus parentes e outros civis podem seguir para a região de Jarablos, um território do norte do país sob controle de rebeldes sírios pró-Turquia.

- Divisões internas -O acordo de evacuação anunciado no domingo pela Rússia ainda não recebeu comentários do Jaish al-Islam. Segundo o OSDH, esta facção islamita está muito dividida, e há negociações em curso para convencer "a ala mais radical do grupo a não impedir a aplicação do acordo com Moscou".

"Vamos permanecer na cidade, não vamos sair. Os que quiserem, podem ir embora", afirmou Esam Al Buidani, líder do grupo, em um vídeo divulgado no domingo, mas sem a informação sobre a data em que foi gravado.

No sábado, Damasco prometeu continuar os combates e consolidou sua presença militar ao redor de Duma para pressionar os rebeldes.

"Seja com um acordo de evacuação, seja esmagando com bombas, para Assad, o que conta é extirpar o Jaish al-Islam de Duma, para sempre", disse o pesquisador Nicholas Heras, do Center for New American Security.

Graças ao apoio militar russo, o regime de Damasco conseguiu mudar o rumo da guerra iniciada em 2011 e acumula vitórias sobre os rebeldes e extremistas: agora controla mais da metade do país.

A queda de Ghuta após uma intensa campanha de bombardeios e de combates é uma das piores derrotas para os rebeldes em sete anos de conflito.

Preocupados com a situação, milhares de habitantes de Duma fugiram nos últimos dias para áreas sob controle do governo, através de corredores abertos pelo Exército sírio.

Um comboio com mais de mil pessoas deixou a cidade no domingo à noite com destino a Idlib, graças a um acordoem separado sobre os "casos humanitários".

A guerra na Síria deixou mais de 350.000 mortos desde 2011 e milhões de refugiados. O conflito se tornou mais complexo com o envolvimento de potências estrangeiras e de grupos extremistas.

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