Vizcarra começa a governar o Peru com novo gabinete

Lima, 2 Abr 2018 (AFP) - O novo presidente do Peru, Martín Vizcarra, implementará formalmente seu governo nesta segunda-feira (2) com a nomeação de seu primeiro gabinete ministerial, liderado pelo congressista César Villanueva, que deverá manter o modelo econômico neoliberal e a política externa de seu antecessor, Pedro Pablo Kuczynski.

Vizcarra, que era vice-presidente até 23 de março, dará posse a todo o gabinete, formado por 19 ministros, em uma cerimônia na casa de Pizarro, a sede do Executivo, às 15h30 locais (17h30 de Brasília), segundo a Presidência peruana.

O legislador Villanueva, do partido Aliança para o Progresso (direita moderada), assumirá a presidência do Conselho de Ministros, em substituição a Mercedes Aráoz, congressista do partido governista Peruanos Pela Mudança (direita), de Kuczynski.

Villanueva, administrador de empresas de 71 anos, foi presidente do Conselho de Ministros entre outubro de 2013 e fevereiro de 2014 do mandatário Ollanta Humala (nacionalista, centro-esquerda). Além disso, foi impulsionador do pedido de destituição contra o presidente Pedro Pablo Kuczynski, que levou à sua renúncia em 21 de março.

O Presidente do Conselho de Ministros anunciou à imprensa que o ministro da Economia e das Finanças será o economista David Tuesta, um funcionário da Corporação Andina de Fomento (CAF), onde é diretor corporativo de Assuntos Estratégicos.

A chancelaria peruana será dirigida pelo embaixador Néstor Popilizio, um diplomata de carreira que foi vice-chanceler nos últimos anos, indicou Villanueva.

O ministério de Justiça ficará encarregado do advogado Salvador Heresi, um congressista da situação que havia apoiado o polêmico indulto ao ex-presidente Alberto Fujimori e pedido a renúncia de Kuczynski semanas atrás.

No dia seguinte de sua assunção, Vizcarra anunciou que seu novo gabinete estaria pronto para este 2 de abril e prometeu que o renovaria por completo.

Existe consenso de que não haverá grande diferença na economia com Kuczynski, ex-banqueiro de Wall Street de 79 anos, assim como também não se vislumbram novidades na política externa, que se caracterizou por uma defesa do sistema multilateral, críticas ao protecionismo comercial de Donald Trump e uma ativa oposição ao regime chavista da Venezuela.

- Construindo pontes -O virtual primeiro-ministro, também conhecido no Peru como Presidente do Conselho de ministros, deu nesta segunda-feira algumas ideias do que será sua gestão em vários tuítes.

"Este será um governo de todos os peruanos. Todos devemos somar. Todos temos capacidade de aportar", escreveu Villanueva em sua conta do Twitter.

Ele ressaltou, ainda, que "seremos um governo que fala, dialoga e escuta. Estaremos com o povo, não nos escritórios".

"Não haverá grandes mudanças, nem sobressaltos, o que vai mudar é quem acompanha: no caso de Kuczynski eram seus amigos em gabinete tecnocrático empresarial", disse à AFP o analista político Juan de la Puente.

Vizcarra "não é um homem de bancos, nem de empresas, é um engenheiro de origem regional substancialmente distinto de Kuczynski. Essa diferença o permitirá construir um governo mais plebeu no sentido social", ressaltou De la Puente.

A grande incógnita nos próximos dias será a reação da Força Popular, o poderoso partido populista de direita liderado por Keiko Fujimori e que é maioria no Congresso.

A posse encerra o breve parênteses aberto com a renúncia de Kuczynski no dia 21 de março, em decorrência do escândalo dos negócios de suas empresas com a empreiteira Odebrecht e a divulgação de vídeos comprometedores de supostas trocas de favores políticos por votos no Congresso.

Durante as duas últimas semanas, Vizcarra dirigiu o governo com o apoio do gabinete de Aráoz, que continuará como vice-presidente do Peru.

Vizcarra, de 55 anos e sem filiação partidária, ex-embaixador no Canadá e ex-governador da região sul de Moquegua, deverá governar 40 meses para completar o mandato de Kuczynski, que vai até julho de 2021.

O partido Aliança para o Progresso saudou a nomeação de Villanueva à frente do gabinete e destacou que apoiará Vizcarra "pela governabilidade do país".

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