Especialistas pedem políticas que fomentem energias renováveis na América Latina

Santiago, 3 Abr 2018 (AFP) - Os especialistas exigem políticas econômicas de longo prazo na América Latina para realizar a transição da matriz energética para fontes renováveis não convencionais, como a solar ou a eólica.

"Precisamos de um roteiro claro", disse Eduardo Valente, sócio de Energia e Mineração da consultora EY, no âmbito do Latam Energy Forum, que começou nesta terça-feira em Santiago e vai durar dois dias.

A realidade dos países é muito diferente. Enquanto Chile e Uruguai fizeram apostas claras nas energias solar e eólica, respectivamente, no Peru, por exemplo, presa de uma crise política nos últimos meses que terminou com a mudança de governo, o avanço está muito atrasado, segundo César Butrón, presidente do COES-SINAC.

Financiamento e comercialização, integração das energias renováveis não convencionais à rede, interconexão regional ou novas soluções de estabilidade para os sistemas elétricos, são algumas das arestas da produção energética limpa na região ainda não resolvidas.

Diante da tendência de aposentar os combustíveis fósseis, "o que vamos ver na próxima década vai ser surpreendente. Isto é cada vez mais rápido, mais radical e mais forte", assegurou José Ignacio Escobar, diretor-geral para a América do Sul da espanhola Acciona Energía.

Ele acrescentou que espera que em 2030 tenhamos um mundo com mais de 50% de energias renováveis.

Se a região explorasse apenas 10% do potencial de energia eólica e solar, a produção energética seria 8 e 14 vezes maior, respectivamente, que o consumo de energia atual de 21 países da região, apontou Carolina Zelaya, secretária executiva da Comissão Nacional de Energia do Chile.

- Uruguai, o laboratório -A experiência do Uruguai, "um laboratório da realidade", foi exposta como exemplo neste fórum de especialistas.

Desde 2010 este país investiu sete bilhões de dólares para mudar sua matriz energética, apostando na geração eólica, lembrou Gonzalo Casaravilla, presidente da Administração Nacional de Usinas e Transmissões Elétricas (UTE).

Só em quatro anos, a energia produzida pelo vento passou de 1% do total, em 2013, a 31%, em 2017. Em março passado, a energia eólica se tornou a principal fonte de geração pela primeira vez, alcançando 41% de participação, disse Casaravilla, citando uma notícia desta terça-feira da imprensa local.

"Se nos movemos bem e trabalhamos as relações com as pessoas, a troca e a confiança, há muitas oportunidades para trabalhar", apontou.

Os produtores de energia ainda terão que resolver problemas como o armazenamento para combater a irregularidade da produção, que diminui quando o sol se põe ou os ventos remitem.

As interconexões são outro dos obstáculos que os países sul-americanos tem que superar, "muito menores" que na Europa, Estados Unidos e Canadá ou inclusive América Central.

Para chegar a 100% de renováveis, são necessárias todas as tecnologias, mareomotriz, eólica, solar ou outras que forem aparecendo, lembram os especialistas.

"A digitalização vai nos permitir ter respostas muito rápidas", disse Luis Meersohn, vice-presidente de Energia da Siemens.

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