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Ministro da Fazenda Meirelles deixará cargo para fazer campanha

03/04/2018 20h22

Brasília, 3 Abr 2018 (AFP) - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, se afiliou nesta terça-feira (3) ao MDB, partido do presidente Michel Temer, e afirmou que deixará o cargo esta semana para poder fazer campanha visando a eleição de outubro.

A decisão de Meirelles o coloca na disputa para ser o candidato à Presidência do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cargo ao qual o próprio Temer aspira, após manifestar sua intenção de se testar nas urnas.

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, publicada no fim de janeiro, nenhum dos dois supera 1% das intenções de voto, a seis meses da eleição.

Meirelles, de 72 anos, foi presidente do Banco Central durante o governo Lula (2003-2010) e conta com um amplo respaldo dos mercados. Além disso, não se viu envolvido até agora nas investigações da Operação Lava Jato.

"Tenho o projeto de candidatura à Presidência", afirmou Meirelles nesta terça, citado pela imprensa local. Mas suavizou: "entrando no partido, vamos discutir os próximos passos e qual a melhor composição partidária, de forma a evitar que o Brasil tenha políticas populistas, oportunistas, que levaram o país à pior recessão da história".

Meirelles afirmou que deixará seu cargo na próxima sexta-feira, data limite para que os ministros com aspirações eleitorais deixem seus postos.

Durante seu discurso, reivindicou o legado de sua política econômica, implementada desde que Temer assumiu o governo, em 2016.

Meirelles conduziu um severo ajuste fiscal para reordenar as contas públicas e recuperar a confiança dos mercados.

Apesar da economia dar sinais de recuperação, o índice de desemprego continua alto (12,6%) e a popularidade de Temer continua baixa, apenas 6% dos brasileiros aprovam sua gestão, segundo o Datafolha.

"Recuperei um país que estava quebrado. Eu me orgulho do que fiz. E eu preciso mostrar o que está sendo feito. Se eu não tiver uma tribuna o que vai acontecer é que os candidatos sairão e vão me bater. Seria uma covardia não ser candidato", assegurou Temer no mês passado à revista IstoÉ, após vários meses de especulações sobre sua candidatura.

O certo é que o único grande favorito nas pesquisas continua sendo Lula, que não tem sua candidatura assegurada - e nem sua liberdade -, após ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Tudo isso torna a eleição de outubro a mais incerta dos últimos anos.