Operação de saída de rebeldes sírios prossegue em Ghuta Oriental

Mukhayyam al Wafidin, Síria, 3 Abr 2018 (AFP) - Cerca de 1.200 rebeldes e civis deixaram nesta terça-feira (3), o último reduto rebelde de Ghuta Oriental, uma operação mediada pela Rússia que permitirá ao regime sírio retomar o controle total desta região nas proximidades de Damasco.

A agência oficial Sana destacou que no total teriam saído 24 ônibus da região de Duma, em Ghuta Oriental, em que viajavam 1.198 combatentes e civis.

"Os ônibus se dirigem para a cidade de Jarablos", no norte da Síria, acrescentou a agência.

A saída dos insurgentes, que deve durar vários dias, não foi confirmada pelo grupo Yaish Al-Islam, a última facção rebelde presente em Duma. O movimento, com muitas divisões internas, permanece em silêncio desde que a Rússia anunciou um "acordo preliminar" para a evacuação.

Aliada do governo Bashar al-Assad, a Rússia já organizou a saída de outros dois grupos rebeldes de Ghuta Oriental.

Nos últimos dias, mais de 46.000 pessoas, quase 25% delas combatentes, deixaram Ghuta Oriental, agora controlada em 95% pelas forças do governo, graças à ofensiva iniciada em 18 de fevereiro.

As cinco semanas de intensos bombardeios deixaram mais de 1.600 civis mortos, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A operação do regime em Ghuta é uma das maiores derrotas dos rebeldes, enfraquecidos pela força militar do governo sírio e da Rússia, desde o início da guerra em 2011.

Apesar do silêncio do Yaish Al-Islam, os combatentes de Duma e suas famílias começaram a deixar a cidade na segunda-feira.

O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, afirmou que a operação sofreu uma interrupção pelas divisões do grupo islamita, que tem 10.000 combatentes.

"A ala radical do grupo se nega a sair", disse Abdel Rahman.

"Vamos permanecer na cidade, não vamos sair. Os que quiserem, podem ir embora", afirmou Esam Al Buidani, líder do grupo, em um vídeo divulgado no domingo, mas sem a informação sobre a data em que foi gravado.

- Vitória para o regime -Na segunda-feira à noite, mais de 1.100 pessoas, incluindo rebeldes e suas famílias, abandonaram Ghuta e seguiram para Jarablos, um território do norte do país sob controle de rebeldes sírios pró-Turquia, segundo cifras da SANA.

A cidade de Duma tem 200.000 habitantes e os que desejarem poderão permanecer, caso regularizem sua situação com as autoridades de Damasco.

A reconquista de Ghuta Oriental é uma vitória para o regime de Damasco. Desde 2012, a região estava sob controle dos rebeldes, que lançavam foguetes e obuses contra a capital.

Antes da ofensiva do governo, que começou em 2013, a região tinha 400.000 habitantes e sofria uma escassez de alimentos e de remédios.

Nas últimas semanas, dezenas de civis fugiram de Ghuta, e muitos buscaram abrigo em áreas próximas a Damasco controladas pelo regime, onde alguns temem represálias.

Paralelamente, 40.000 pessoas retornaram para suas casas em várias localidades de Ghuta reconquistadas pelo regime, anunciou uma fonte militar citada pela SANA.

Graças ao apoio militar da Rússia, o regime de Assad conseguiu importantes vitórias contra rebeldes e extremistas.

Várias regiões do território sírio estão fora do controle do regime de Assad, como a província de (noroeste), aonde são enviados os rebeldes evacuados de outros territórios ou a de Deraa (sul), onde os rebeldes e os extremistas estão muito presentes. Também é o caso do nordeste, controlado pela minoria curda.

Nesta quarta-feira (4), será celebrada em Ancara uma cúpula tripartite dedicada à Síria. Estarão presentes o presidente russo, Vladimir Putin, o iraniano, Hassan Rohani, e o turco, Recep Tayyip Erdogan, representantes dos três países que se impuseram no conflito na Síria.

O governo sírio controla mais da metade do país, devastado por uma guerra que deixou mais de 350.000 mortos.

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