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Panamá inclui Maduro em lista de lavagem para proteger sistema financeiro

03/04/2018 17h59

Panamá, 3 Abr 2018 (AFP) - O Panamá incluiu o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em uma lista de "alto risco" de lavagem de dinheiro para proteger seu sistema financeiro, explicou nesta terça-feira (3) a chanceler do país, Isabel de Saint Malo.

A funcionária disse que a Comissão Nacional Contra a Lavagem de Dinheiro, dependente do Ministério de Economia e Finanças, fez uma "análise exaustiva" de outras listas similares com funcionários venezuelanos elaborados por Estados Unidos, União Europeia e Canadá.

Após esta análise, o governo panamenho decidiu também criar sua lista para "a proteção de nosso centro financeiro internacional", disse De Saint Malo à imprensa.

"Era importante pegar a lista da União Europeia, do Canadá e dos Estados Unidos e compartilhar com o setor (financeiro) quais são as pessoas que estão incluídas nestas listas para que o levem em conta em suas avaliações de risco", acrescentou.

Nesta segunda-feira, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela rechaçou este tipo de lista e classificou-as como grotescas e uma ameaça à soberania do país sul-americano.

Na semana passada, o Panamá anunciou que incluiu 55 altos funcionários venezuelanos em uma lista de pessoas de "alto risco" em matéria de lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e proligeração de armas de destruição em massa.

Na lista, aparecem Maduro e Diosdado Cabello, líder do partido do governo venezuelano.

Também estão Maikel Moreno, presidente da máxima Corte, Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Tarek William Saab, procurador-geral, Adán Chávez, irmão do ex-presidente Hugo Chávez, Elías Jaua, ministro de Educação, e Ernesto Villegas, ministro de Cultura.

O governo panamenho pediu maior vigilância de "qualquer feito, transação ou operação" cujos beneficiários sejam os líderes venezuelanos que aparecem na lista.

O Panamá, acusado de ser um paraíso fiscal, faz parte do chamado Grupo de Lima, composto por 14 países da região que se opõem ao atual governo de Caracas.