Putin viaja à Turquia para reforçar cooperação sobre energia e Síria

Ancara, 3 Abr 2018 (AFP) - O presidente russo, Vladimir Putin, iniciou nesta terça-feira (3) uma viagem de dois dias à Turquia, onde lançou com seu contraparte turco, Recep Tayyip Erdogan, um grande projeto nuclear, símbolo de sua aproximação, antes de abordar a questão crucial da Síria.

"Assistimos a um momento realmente histórico", declarou o chefe de Estado turco em uma cerimônia em Ancara ao lado de Putin para lançar a construção da usina nuclear de Akkuyu, na região de Mersin (sul), pela gigante russa Rosatom.

Os dois dirigentes, que há mais de um ano estreitaram suas relações, se reuniram em seguida em caráter privado na véspera de uma cúpula tripartite sobre a Síria na capital turca, à qual se somará o presidente iraniano, Hassan Rohani.

Após o encontro, Putin afirmou que seu país vai "acelerar" a entrega de sistemas russos de defesa antiaérea S-400, encomendados pela Turquia.

"Temos falado sobre a realização do contrato para a entrega dos S-400. E tomamos a decisão de acelerar a entrega", anunciou, em coletiva de imprensa conjunta.

Erdogan defendeu a aquisição destes mísseis, anunciada em setembro, uma decisão que causou reservas e críticas entre os aliados da Turquia e no âmbito da Otan, devido à sua incompatibilidade com os sistemas de defesa da Aliança Atlântica.

"Sobre os S-400, é uma decisão que corresponde à Turquia (...) Alcançamos um acordo relativo aos S-400, fechamos esse dossiê, é um caso encerrado", acrescentou.

Confrontado a uma grave crise diplomática com os países do Ocidente, após o envenenamento, no Reino Unido, do ex-espião russo Serguei Skripal, que Londres atribui a Moscou, Putin foi recebido com pompa por Erdogan.

O chefe de Estado russo, que faz na Turquia sua primeira viagem ao exterior desde que foi reeleito para um quarto mandato em 18 de março, chegou ao palácio presidencial turco escoltado por guardas a cavalo.

A construção da usina de Akkuyu, ao custo estimado de 20 bilhões de dólares e cujo primeiro reator teria que estar operando em 2023, é o símbolo da aproximação entre os dois países.

"É difícil subestimar a importância deste projeto inovador", disse Putin em Ancara. "Faremos tudo o possível para assistirmos juntos, em 2023, à cerimônia de lançamento da nova central", acrescentou.

- Estreita colaboração -Segundo Erdogan, os quatro reatores da central fornecerão 10% da eletricidade da Turquia, um país muito dependente da importação de combustíveis.

Este projeto, adiado em várias oportunidades, havia sido paralisado pela crise diplomática desatada após a destruição pela aviação turca de um bombardeiro russo na fronteira síria em novembro de 2015.

Mas desde então, as relações melhoraram e Rússia e Turquia deixaram de lado suas diferenças para trabalharem juntas sobre a questão síria, apesar de Moscou apoiar o regime de Bashar Al Assad e Ancara, a oposição.

"Cooperamos estreitamente com a Rússia para pôr fim rapidamente ao terrorismo e aos enfrentamentos na Síria", declarou na terça-feira Erdogan, que disse estar "determinado a prosseguir e reforçar ainda mais, a cada dia" esta colaboração entre Ancara e Moscou.

- Preocupações da Otan -Putin e Erdogan, dois dirigentes com mão de ferro que mantêm relações tensas com o Ocidente, têm reforçado seus vínculos há mais de um ano. No ano passado, reuniram-se oito vezes, sem contar as muitas entrevistas telefônicas.

Mostra desta aproximação, observada com desconfiança pelos parceiros da Turquia na Otan, é o fato de Ancara ter se mantido à margem da expulsão coordenada por vários aliados do Reino Unido de diplomatas russos, após o caso Skripal.

Sobre este tema, Erdogan declarou que rejeita agir com a Rússia "com base em uma alegação".

Outro tema que preocupa a Otan é justamente o acordo que a Turquia e a Rússia afirmam ter concluído sobre a aquisição por Ancara dos sistemas de defesa russos S-400.

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