Topo

As evacuações das zonas sitiadas na Síria

04/04/2018 14h52

Beirute, 4 Abr 2018 (AFP) - Desde que começou a guerra na Síria, em 2011, várias operações de evacuação foram organizadas, em muitos casos em redutos rebeldes.

Estes acordos de "reconciliação", de acordo com a terminologia do governo de Bashar al-Assad, consistem em enviar os combatentes e suas famílias, em geral, para a província rebelde de Idlib (noroeste).

No entanto, a Anistia Internacional assegura, em um relatório de 2017 ("Sair ou morrer"), que essas evacuações são forçadas e equiparáveis a crimes contra a humanidade.

Veja a seguir as principais evacuações desde que a guerra começou.

- Homs -Em maio de 2014, os rebeldes deixaram seu reduto da zona antiga da cidade de Homs (centro) após um cerco de dois anos e bombardeios que devastaram a cidade.

Depois do acordo entre as partes, milhares de rebeldes e civis saíram entre março e maio de 2017 de Waer, o último bairro nas mãos dos rebeldes, permitindo ao governo retomar a totalidade da cidade.

- Daraya -Em agosto de 2016, os últimos rebeldes de Daraya, na província de Damasco, abandonaram essa cidade após um acordo com o governo depois de quatro anos de cerco.

Os rebeldes e suas famílias foram levados a Idlib e o Exército sírio retomou o controle de Daraya, que sofreu com a fome durante meses.

O emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, criticou a "estratégia" do governo de deslocamento forçado de população.

- Aleppo -Em dezembro de 2016, o Exército sírio retomou a metade de Aleppo, segunda maior cidade do país, que estava nas mãos dos rebeldes desde julho de 2012, após uma ofensiva e um longo cerco.

Dezenas de milhares de habitantes foram levados para as regiões rebeldes do norte. A evacuação foi possível por um acordo promovido pela Turquia (apoio dos rebeldes) e por Rússia e Irã (apoio do governo).

- Wadi Barada -Em janeiro de 2017, após um cerco de um mês, um acordo permitiu que 700 rebeldes e 1.400 famílias abandonassem a zona de Wadi Barada, a cerca de 15 quilômetros de Damasco, para ir à província de Idlib após a vitória das tropas do governo.

- Madaya, Zabadani, Fuaa e Kafraya -Em abril de 2017, em virtude de um acordo promovido pelo Irã (apoio do governo) e Catar (apoio dos insurgentes), cerca de 11 mil combatentes e civis evacuaram quatro localidades rebeldes e pró-governo sitiadas.

A saída cruzada aconteceu em Fuaa e Kafraya, duas localidades xiitas na província de Idlib cercadas pelos rebeldes, e Zabadani e Madaya, sitiadas pelas tropas do governo e agora sob o controle do Exército.

- Barzeh, Qabun e Tishrin -Em maio de 2017, o governo retomou os bairros rebeldes de Barzeh, Qabun e Tishrin, em Damasco, após a saída de vários milhares de civis e combatentes para a província de Idlib.

- Ghuta Oriental -Em 22 e 23 de março de 2018, 4.600 pessoas, entre elas 1.400 combatentes do grupo insurgente salafista Ahrar al-Sham, foram evacuadas de Harasta, localidade da região de Ghuta Oriental, para Idlib.

As evacuações faziam parte de um acordo com o governo, negociado com a Rússia, seu aliado. Desde então, mais de 46 mil pessoas, 25% delas combatentes, saíram de Ghuta Oriental para zonas rebeldes de Idlib, de acordo com as autoridades sírias.

A ofensiva do governo, que matou 1.600 civis em cinco semanas, obrigou os rebeldes a aceitarem o acordo.

Em 2 de abril começou a evacuação de Duma, última cidade rebelde de Ghuta Oriental, nas mãos do grupo Jaysh al-Islam.

Paralelamente, mais de 150 mil civis fugiram dos combates para as zonas nas mãos do governo ou dos rebeldes.