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Candidato de esquerda no México pede que investidores não temam

04/04/2018 18h23

México, 4 Abr 2018 (AFP) - O esquerdista Andres Manuel Lopez Obrador, que lidera as pesquisas para as eleições presidenciais de julho no México, pediu aos investidores que confiem em suas propostas e "não tenham medo", em um artigo publicado nesta quarta-feira (4) pelo jornal local El Financiero.

"Senhores investidores, nossa proposta visa alcançar uma mudança ordenada e pacífica para melhorar as condições de vida e de trabalho de nossos cidadãos e tornar possível o renascimento do México", disse Lopez Obrador no artigo.

"Tenham confiança, não somos rebeldes sem causa e temos palavra, sabemos cumprir os nossos compromissos. Não se deixem assustar", acrescentou o candidato.

López Obrador, que lidera a maioria das pesquisas com mais de 10% de vantagem, preocupou os mercados com suas propostas.

Seu programa eleitoral inclui uma revisão dos contratos petroleiros assinados pelo México após a abertura do setor energético a investimentos privados em 2014 e a suspensão da construção de um novo aeroporto para a capital mexicana, cujo investimento é de cerca de 250 bilhões de pesos (13,7 bilhões de dólares).

López reiterou que os contratos petroleiros e obras públicas serão revisados "um a um, para evitar casos de corrupção", de acordo com os procedimentos legais e "protegendo quem adquiriu títulos", bem como os trabalhadores cujos fundos de aposentadoria foram investidos em tais títulos.

Enquanto isso, o candidato insistiu que a assinatura do novo Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que o México está renegociando com os Estados Unidos e o Canadá, deve ser realizada após as eleições de 1º de julho, quando autoridades mexicanas disseram que podem alcançar um acordo em abril.

Obrador explicou que o modelo econômico que propõe é similar ao que o México aplicou no período conhecido como "desenvolvimento estabilizador", que vai de 1950 a 1970, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu quase 7% em média, estimulado por políticas protecionistas e pela intervenção estatal na economia.

"Não é nosso propósito reviver um modelo do passado e aplicá-lo de maneira mecânica. Pretendemos retomar as lógicas que funcionaram, ajustá-las às condições atuais e aplicá-las com uma visão política distinta", acrescentou.