Descoberto na China novo coronavírus que provém de morcegos

Paris, 4 Abr 2018 (AFP) - Um novo coronavírus, que provém dos morcegos e causou a morte de quase 25 mil porcos na China entre 2016 e 2017, apareceu na região onde ocorreu o surto de pneumonia atípica "SARS" em 2003, indicaram pesquisadores.

"A descoberta de novas infecções nos animais representa um alto risco de infecção nos humanos que estão em contato próximo com eles", explicou Zhengli Shi, pesquisadora do Instituto de Virologia de Wuhan, coautora do estudo publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature.

Isso permite tomar medidas de prevenção em uma etapa precoce, ressaltou a pesquisadora.

Os pesquisadores realizaram exames em 35 trabalhadores agrícolas que estiveram em contato com esses porcos doentes. Nenhum deu positivo ao novo vírus, o coronavírus da Síndrome de Diarreia Aguda Suína ("SADS-CoV"), constatado em quatro criadouros suínos da província chinesa de Guangdong, ao sul do país.

Atualmente, seis coronavírus são conhecidos por provocar doenças nos humanos.

Entretanto, até agora somente dois deles provocaram epidemias de doenças fatais nos seres humanos, o da Síndrome Respiratória Aguda Severa (SARS) e da Síndrome Respiratória Coronavírus do Oriente Médio (MERS CoV), detalhou o Instituto Nacional americano de Alergias e Doenças Infecciosas, que financiou esta pesquisa.

A epidemia da SARS, que começou na China no fim de 2002, apareceu em várias parte do mundo em 2003 e deixou cerca de 800 mortos. O reservatório desse vírus também era um morcego insetívoro.

A identificação de novos vírus nos animais e a rápida determinação de seu potencial de infectar as pessoas é um meio-chave para reduzir as ameaças para a saúde mundial, indicaram os pesquisadores.

O vírus encontrado no intestino delgado dos porcos doentes tem uma sequência genética similar à de um coronavírus de morcego descoberto em 2007. O estudo permitiu encontrá-lo em 71 dos 596 exemplares (11,9%) de morcegos coletados entre 2013 e 2016 na província de Guangdong.

Esse trabalho contou com a colaboração de cientistas da EcoHealth Alliance, da Escola de Medicina Duke-NUS em Singapura, do Instituto de Virologia de Wuhan e outras organizações chinesas.

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