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Fluxo de emigrantes do México para EUA aumenta após 'efeito Trump'

04/04/2018 23h08

Washington, 5 Abr 2018 (AFP) - A ordem do presidente Donald Trump de enviar a Guarda Nacional à fronteira com o México chega depois que dados oficiais americanos recentes apontaram que a imigração ilegal aumentou novamente depois de ter caído durante o primeiro ano de governo do republicano.

As advertências de Trump de reforçar as medidas contra os imigrantes quando chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017, levaram o número de detenções de imigrantes cruzando ilegalmente a fronteira a patamares mínimos das últimas quatro décadas.

Segundo dados oficiais, as detenções em fevereiro de 2017 somaram 23.555, muito menos do que as 38.000 de um ano antes. Elas chegaram ao ponto mais baixo em abril de 2017, quando totalizaram 15.766, menos de um terço das registradas no mesmo mês do ano anterior.

Na época, grupos opostos à imigração celebraram o grande sucesso do "efeito Trump", assim como o próprio presidente americano.

"Os empregos estão voltando, a imigração ilegal está caindo, a lei, a ordem e a justiça estão sendo restauradas. Estamos fazendo verdadeiramente o Estados Unidos grande de novo!" - tuitou em abril de 2017.

Um ano depois, os dados sugerem que a desaceleração deste fluxo migratório durou apenas sete meses e que os imigrantes em situação irregular estão chegando aos Estados Unidos em níveis similares ao período de 2014-2016, antes que Trump se lançasse à presidência com suas propostas contra a imigração.

As detenções na fronteira sudeste em janeiro e fevereiro deste ano somaram um total de 72.517, contra 66.018 um ano antes.

Apesar do aumento do efetivo e dos gastos para proteger a fronteira, a secretária de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Kirstjen Nielsen, disse que "recentemente aumentaram os números de passagens ilegais na fronteira".

"Dos (níveis) mínimos de 40 anos registrados em abril passado, se voltou aos níveis anteriores", disse.

Segundo Nielsen, essa retomada acontece porque traficantes de pessoas convencem imigrantes a utilizar seu conhecimento da lei americana para evitar deportações rápidas.

Por exemplo, o departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos informou que uma em cada dez pessoas detidas por agentes fronteiriços pede refúgio, alegando medo de viver em países perigosos, como Honduras, em comparação a uma pessoa em cada 100 que fazia esse tipo de solicitação em 2013.

Segundo Nielsen, nos últimos anos houve um aumento do número de famílias e de crianças desacompanhadas que tentam atravessar ilegalmente a fronteira, e a metade desses imigrantes são da América Central.

"Os traficantes e os contrabandistas sabem que essas pessoas não podem, segundo a lei, ser deportadas facilmente".

"Não permitiremos que os níveis anteriores de imigração ilegal se transformem em norma", apontou Nielsen.