Maduro diz que governos de França e Espanha são 'racistas'

Caracas, 5 Abr 2018 (AFP) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chamou nesta quarta-feira de "racistas" os governos de França e Espanha, após o líder francês, Emmanuel Macron, afirmar que as eleições presidenciais de 20 de maio carecem de legitimidade.

"As elites governantes de Espanha, de França, são racistas (...). Como este mestiço não se submete a suas ordens, dizem que Nicolás Maduro é uma ditadura".

O governo em Caracas já havia rejeitado a atitude de Macron de se reunir com "foragidos da justiça", referindo-se à recente audiência concedida a três opositores venezuelanos.

Em nota de protesto entregue ao embaixador francês em Caracas, Romain Nadal, o governo venezuelano assinalou que os convidados de Macron estão "vinculados à comissão de crimes sancionados pela Lei Contra a Delinquência Organizada e Financiamento ao Terrorismo".

A nota se referia a Antonio Ledezma, ex-prefeito de Caracas que fugiu da prisão domiciliar para a Espanha em novembro passado, e a Carlos Vecchio, exilado nos Estados Unidos, que foram recebidos por Macron na terça-feira no Palácio do Eliseu.

O deputado e ex-presidente do Parlamento Julio Borges também participou do encontro, que Caracas qualificou de "gesto inamistoso".

Na reunião, Macron avaliou que as eleições presidenciais venezuelanas de 20 de maio carecem de condições para ser justas e livres.

"O governo venezuelano manifestou sua preocupação com o apoio concedido pelas altas autoridades do país europeu a grupos extremistas, responsáveis pela convocação à violência no território nacional".

Caracas vincula os dirigentes opositores a supostos planos golpistas e à violência durante os protestos de 2014 e 2017, que deixaram 43 e 125 mortos, respectivamente.

Maduro mantém uma relação tensa com a Espanha, especialmente com o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, que o acusa de "tendência totalitária".

Rajoy promoveu sanções da União Europeia contra a Venezuela, onde a oposição e organizações de direitos humanos denunciam a existência de mais de 200 "presos políticos".

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