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Ante a temperaturas elevadas, o avião se torna ecológico

05/04/2018 18h49

Oslo, 5 Abr 2018 (AFP) - Será que poderemos algum dia viajar de avião sem a culpa causada pela consciência ecológica?

O transporte aéreo também vai se inclinar pela propulsão elétrica para reduzir o impacto climático do avião, até agora de má fama ambiental.

"Muitos dizem que devemos nos desfazer do transporte aéreo porque nunca chegaremos a resolver as emissões e o barulho. Mas este já é um enfoque superado", afirmou o ministro norueguês dos Transportes, Ketil Solvik-Olsen, em uma coletiva de imprensa recente em Oslo sobre aviação.

Noruega, maior produtor de hidrocarbonetos da Europa ocidental, é também pioneira em mobilidade elétrica: a ambição é que todos os novos veículos a partir de 2025 sejam de emissão zero, e já há uma balsa elétrica que navega desde 2015.

Após a terra e a água, o reino nórdico olha agora para o céu com a ideia de eletrificar todos os voos de curto alcance dentro de apenas 20 anos.

"Em 2040, a Noruega funcionará unicamente com eletricidade", afirma Dag Falk-Petersen, chefe da Avinor, operadora dos aeroportos públicos do país.

- Tesla dos ares? -Em escala global, considera-se que o transporte aéreo contribui 5% para o aquecimento global, através das emissões de CO2 e outras substâncias.

Essa porcentagem pode aumentar fortemente se não se fizer nada, pois o número de passageiros dobrará até 2036, chegando a 7,8 bilhões de viajantes, segundo projeções da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).

Ante esta urgência climática, a indústria aérea se comprometeu a reduzir pela metade até 2050 suas emissões de CO2 em relação ao nível de 2005.

Efetivamente, a eletrificação começa a seduzir as companhias aéreas.

O transportador regional Widerøe, que opera no grande norte da Noruega, espera renovar seus bimotores Dash 8 com aparelhos de propulsão elétrica até 2030.

"Se as companhias aéreas não se renovarem neste aspecto, haverá um novo Tesla que acabará ocupando seu lugar", alega Falk-Petersen, em alusão ao fabricante americano de carros elétricos, que revolucionou a indústria automotiva tradicional.

- Clima e negócios -Em associação com a Rolls-Royce e a alemã Siemens, o europeu Airbus trabalha em seu E-Fan X, um avião de teste elétrico híbrido que deve começar a voar em 2020.

"Um dos maiores desafios é armazenar eletricidade, mas a tecnologia das baterias é provavelmente a que mais atrai os investidores no mundo. Isso vai progredir", explica à AFP Glenn Llewellyn, diretor da Airbus Electrificacion.

Zunum Aero, patrocinado pelo americano Boeing, espera comercializar um avião elétrico híbrido de 12 lugares a partir de 2022, e depois passar aos aviões maiores.

"O preço que buscamos é mais ou menos o mesmo que o dos aviões de hoje, mas seus gastos de exploração serão muito menores: 60 a 70% menos que um avião equivalente atualmente", afirma Matt Knapp, o fundador desta start-up.

Assim, a transição para a eletricidade promete ser positiva para os bons negócios. Além disso, um status quo pode acabar penalizando o transporte aéreo, que já é o vilão ecológico e pode se ver afetado por restrições regulamentares ou taxas.

Este novo modo de operar gerará, além disso, uma clara redução dos incômodos sonoros, o que permitiria aos aviões voarem perto das cidades, operar durante as 24 horas do dia e em pistas mais curtas graças ao menor tempo de aceleração.

"Ainda há muitas questões a serem resolvidas: as condições glaciares, os fortes ventos...", admite Stein Nilsen, presidente do Widerøe. "Mas se conseguimos aqui na Noruega, certamente este aparelho poderá enfrentar qualquer tipo de condições em qualquer parte do mundo".

phy/gab/juf/me/db

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