Partidos e mercados avaliam consequências de possível prisão de Lula

Brasília, 5 Abr 2018 (AFP) - Partidos, analistas e mercados avaliam, nesta quinta-feira (5), as consequências da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro.

Lula, de 72 anos, ainda não reagiu à decisão emitida de madrugada pelo STF. O Partido dos Trabalhadores (PT), contudo, publicou nas redes um discurso recente do líder sindical: "Querem me prender para calar minha voz. Mas eu falarei pela voz de vocês. Querem me prender pra eu ficar preso em uma cela e não poder andar. Mas eu andarei pelas pernas de vocês".

Condenado a 12 anos e um mês de prisão por ter recebido um apartamento tríplex no Guarajá, litoral de São Paulo, da empreiteira OAS, investigada pela Operação 'Lava Jato', Lula poderia ser preso quanto estiverem esgotados os últimos recursos legais formais.

Contudo, a Justiça Eleitoral só deve invalidar sua candidatura a partir de agosto. Isso poderia permitir que Lula fizesse a pré-campanha mesmo preso.

"A questão-chave é o que esta decisão significa para a corrida eleitoral. Não está claro para quem os votos de Lula iriam. Mas um ponto importante é que Lula provavelmente teria mais dificuldades de transferir seus votos para um novo candidato de esquerda da cadeia, que se estivesse em campanha", avaliou o consultoria Capital Economics em nota de análise.

"Mas o mais importante, contudo, é que, mesmo sem Lula na corrida, candidatos amigáveis ao mercado (financeiro) ainda estão atrás nas pesquisas".

Os mercados comemoraram sem euforia a decisão do STF contrária a Lula, que tem de 36% a 38% de intenções de voto, praticamente o dobro do segundo colocado, Jair Bolsonaro, segundo pesquisa do Datafolha de janeiro.

O índice Ibovespa subiu 1,50% no fim desta manhã, e o real alcançou seu maior valor frente ao dólar em dez meses.

- Temer não decola -A derrota de Lula não se converte em sucesso para o presidente Michel Temer, que recentemente anunciou a intenção de se candidatar nas eleições de outubro.

Segundo uma pesquisa Ibope publicada nesta quinta-feira, apenas 5% dos brasileiros avalia positivamente seu governo, frente a 72% que consideram "ruim ou péssimo".

Bolsonaro comemorou a decisão do STF. "O Brasil marcou um gol contra a impunidade e contra a corrupção mas apenas e um gol, o inimigo ainda não esta eliminado", afirmou o deputado federal em um vídeo publicado no YouTube.

"Temos que eleger no corrente ano um Presidente da República, seja homem ou mulher, que seja honesto, tenha deus no coração, que seja patriota e que encare realmente com muita seriedade os problemas do Brasil", afirmou.

Já o presidente do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), Juliano Medeiros, criticou a decisão judicial e convocou "a formação de uma frente democrática contra a escalada de autoritarismo e violência" no país.

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