Quase metade dos venezuelanos pensa não votar nas presidenciais, diz pesquisa

Washington, 5 Abr 2018 (AFP) - Quase a metade dos venezuelanos avalia não votar nas eleições presidenciais de 20 de maio, de acordo com uma pesquisa do americano Atlantic Council divulgada nesta quinta-feira (5).

Cerca dos 44,3% dos consultados porta a porta na Venezuela se mostraram inclinados a não participar das eleições, diante dos 28% registrados em janeiro em uma pesquisa por telefone deste centro de estudos com sede em Washington.

A nova pesquisa do Centro para América Latina Adrienne Arsht do Atlantic Council mostra uma crescente desconfiança dos venezuelanos com o governo e a autoridade eleitoral.

Cerca de 49,8% consideram que os resultados anunciados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não seriam críveis, 10 pontos percentuais a mais do que em janeiro.

Também aumentou 10 pontos percentuais a inconformidade com o governo de Nicolás Maduro, que quase 60% das pessoas veem como ditadura, ou próximo a ser.

Quase oito em cada 10 venezuelanos desaprovam a gestão de Maduro, que tentará um segundo mandato, até 2025.

Na pesquisa, mais de um terço dos entrevistados disse que votaria por um candidato da oposição. O empresário independente Lorenzo Mendoza, que não é candidato, lidera as preferências com 22,9%.

Maduro conta com 21,2% das intenções de votos, diante dos 8,3% do dissidente do chavismo Henri Falcón.

Os independentistas aparecem como o principal bloco político na Venezuela, com 43,3% de apoio (oito pontos percentuais a mais que em janeiro), diante dos 24,2% dos chavistas e dos 31,5% da oposição.

Cerca de 88,4% dos consultados acreditam que sua qualidade de vida piorou nos últimos 12 meses.

A maior preocupação é a hiperinflação, mencionada por 95% dos pesquisados, pela qual responsabilizam Maduro (55%) e o governo (29%). Como consequência, 85% disseram ter reduzido o tamanho das refeições diárias, e 75%, o número.

Três dos quatro consultados acreditam que a Venezuela necessita de ajuda internacional, entre eles mais de um terço de chavistas.

Além disso, mais de 80% acreditam que a Venezuela atravessa uma crise humanitária, incluindo quase a metade dos chavistas.

Embora Maduro se oponha a abrir um canal humanitário para ajudar a população, 74,7% dos consultados apoiam essa iniciativa. E a maioria acredita que a Igreja Católica, a comunidade internacional e as ONGs internacionais são as mais idôneas para coordenar a ajuda.

Para a pesquisa, foram consultadas em toda a Venezuela 1.000 pessoas de todas os estratos socioeconômicos entre 25 de fevereiro e 7 de março. A margem de erro é de 3,04% para mais e para menos, com uma confiabilidade de 95%.

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