Cinco polêmicas envolvendo o premiê húngaro Viktor Orban

Budapeste, 6 Abr 2018 (AFP) - Os oito anos de governo do primeiro-ministro da Hungria Viktor Orban, que disputará um terceiro mandato consecutivo no domingo, foram marcados por iniciativas percebidas como provocadoras pelos defensores dos direitos humanos e seus parceiros europeus.

- Equilíbrio de poderes -Logo após voltar ao poder em 2010, Orban embarcou em uma vasta revisão constitucional enfatizando valores do "cristianismo" e da "família tradicional".

Suas reformas também aumentaram o controle do governo sobre a justiça e cimentaram o poder do partido Fidesz de Orban em todas as instituições.

Uma autoridade para o controle da mídia foi criada. Ela pode sancionar órgãos de imprensa por transmitir informações "não substanciadas".

Washington expressou preocupação com a "situação da democracia na Hungria", enquanto a União Europeia tentou, sem sucesso, obter concessões de Budapeste.

- "Orbanomics" -Autoproclamado defensor de uma economia "não-liberal", Viktor Orban também assegurou o controle de fato do Banco Central (MNB). Os ataques contra a independência da instituição levaram, no final de 2011, a uma suspensão das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O governo adotou então uma série de leis aumentando a tributação sobre os grandes bancos, todos estrangeiros.

Após o aumento do franco suíço em 2015, impôs uma taxa de câmbio favorável aos muitos indivíduos húngaros que haviam feito empréstimos nessa moeda.

Com um crescimento de 4% em 2017 e um desemprego em queda constante (3,8% em dezembro), a Hungria desfruta hoje de um inegável dinamismo econômico.

- Cortina de ferro e xenofobia -Abertamente hostil à recepção de migrantes que, segundo ele, ameaça "dissolver" a identidade da Hungria e de toda a Europa, Orban ergueu em 2015 uma cerca de arame farpado de várias centenas de quilômetros nas fronteiras sérvia e croata, e adotou uma das legislações mais restritivas na Europa sobre o direito de asilo.

Ele se opõe ao plano de distribuição de refugiados da UE adotado pelos 28 países membros e organizou um referendo sobre essa questão em outubro de 2016.

Milhares de cartazes relacionando os migrantes ao "terrorismo" foram colados nas ruas.

O "não" à recepção dos migrantes venceu, mas a consulta não atingiu a participação necessária para ser validada.

Toda a campanha de Viktor Orban para as eleições legislativas concentrou-se na "ameaça vital" representada pela "invasão migratória".

- Viktor, Vladimir e Visegrad - O primeiro-ministro soberano é um admirador declarado de Vladimir Putin, a quem recebeu duas vezes em 2017.

A Hungria também assinou em 2014 um controvertido empréstimo com a Rússia para financiar a extensão da única usina nuclear da Hungria. No mesmo ano, Orban citou a Rússia como modelo para seu "estado não-liberal".

De acordo com grupos de direitos humanos, o governo húngaro usou alguns dos métodos de Putin para atacar instituições independentes, ONGs e a liberdade de imprensa.

Viktor Orban também ajudou a reativar a aliança regional do grupo de Visegrad, cujos membros - Hungria, Polônia, República Tcheca, Eslováquia - estão unidos por sua hostilidade à imigração e desempenham regularmente o papel de encrenqueiros da UE.

- A obsessão Georges Soros -Além dos migrantes, empresas estrangeiras, a Comissão Europeia e o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Viktor Orban atacou o bilionário americano de origem húngara Georges Soros, elevado nos últimos meses ao status de inimigo número um.

De acordo com o primeiro-ministro, Georges Soros quer inundar a Hungria e a Europa com imigrantes muçulmanos e africanos, e as organizações que ele financia - incluindo a prestigiosa Universidade da Europa Central em Budapeste - são apenas uma maneira de conseguir isso.

No verão de 2017, o rosto do financista ladeado por advertências à população estampou toda a Hungria e "questionários" contra Soros foram enviados para todas as casas.

Um novo projeto de lei intitulado "Stop Soros" quer tornar a vida ainda mais difícil para as ONGs.

Esta campanha foi particularmente criticada por seus traços de antissemitismo, com Viktor Orban apresentando George Soros, de origem judaica, como uma figura da "elite globalista" e dos especuladores "sem pátria".

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