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Cronologia de um mês da tensa escalada comercial entre China e EUA

06/04/2018 13h02

Washington, 6 Abr 2018 (AFP) - Estados Unidos e China estão envolvidos, há um mês, em uma disputa comercial provocada pela decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas às importações de aço e alumínio.

Confira abaixo as principais datas do conflito entre as duas maiores potências econômicas mundiais:

- 8 de março: Trump promulga tarifas de 25% sobre o aço, e de 10%, sobre o alumínio. Ele isenta temporariamente Canadá e México, sócios no Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) e outros países, inclusive os da União Europeia. Contudo, não exonera a China.

- 22 de março: Trump assina "um memorando dirigido contra a agressão econômica da China" e anuncia que os Estados Unidos vão impor novas tarifas aos produtos chineses, em cerca de 60 bilhões de dólares, em represália ao "roubo de propriedade intelectual" e para proteger as empresas americanas.

O presidente dá 15 dias para seu representante comercial (USTR) Robert Lighthizer elaborar uma lista de produtos.

- 23 de março: em represália às tarifas sobre os dois metais, Pequim revela uma lista de 128 produtos americanos que pretende taxar com tarifas aduaneiras entre 15% e 25%, caso as negociações com Washington fracassem. Entre eles, estão frutas frescas, carne suína e alumínio reciclado. Os produtos americanos na lista representavam 3 bilhões de dólares no ano passado.

- 26 de março: autoridades chinesas pedem aos Estados Unidos para conterem sua "intimidação econômica" e ameaçam novas represálias.

- 2 de abril: China põe em prática sua ameaça de 23 de março. Anuncia medidas punitivas contra 128 produtos americanos em resposta às tarifas sobre o aço e o alumínio.

- 3 de abril: atendendo ao pedido do presidente em 22 de março, Robert Lighthizer publica a lista provisória de produtos chineses que podem ser sujeitos a novas tarifas em represália à "transferência forçada de tecnologia e propriedade intelectual americanas" para a China.

A lista, que alcança "aproximadamente 50 bilhões de dólares" de exportações chinesas, inclui produtos de várias indústrias - entre elas, os setores de aeronáutica, tecnologia da informação, comunicação, robótica e maquinário.

- 4 de abril: poucas horas depois da publicação da lista, Pequim responde com sua própria versão, atingindo o mesmo montante anual: 50 bilhões de dólares.

A China recorre à artilharia pesada ao incluir produtos mais estratégicos, como a soja, o setor automotivo e o aeroespacial, que pesam muito na balança comercial americana.

Trump garantiu, nesta quarta-feira, que "não estamos em uma guerra comercial com a China, esta guerra foi perdida há muitos anos pelas pessoas tolas, ou incompetentes, que representavam os Estados Unidos".

"Agora, temos um déficit comercial de US$ 500 bilhões por ano, com o Roubo de Propriedade Intelectual de outros 300 bilhões. Não podemos permitir que isto continue", afirmou em um tuíte.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China foi de 375,2 bilhões de dólares em 2017.

- 5 de abril: o ministro chinês de Relações Exteriores, Wang Yi, pede para comunidade internacional formar uma frente comum contra Washington.

A China também apresenta uma nova queixa ante a Organização Mundial do Comércio (OMC) para impugnar as tarifas que os Estados Unidos pretendem implementar sobre vários de seus produtos.

Trump eleva a aposta e ameaça tarifar as importações chinesas em até 100 bilhões de dólares adicionais, que se somariam aos 50 bilhões já afetados por taxas anunciadas em 3 de abril.

- 6 abril: China garante que não teme pagar o preço de uma guerra comercial com os Estados Unidos.

Trump denuncia o funcionamento da OMC e diz que é "injusta com os Estados Unidos".