Julgado por corrupção, ex-presidente sul-africano denuncia processo político

Durban, África do Sul, 6 Abr 2018 (AFP) - O ex-presidente sul-africano Jacob Zuma afirmou nesta sexta-feira ser vítima de acusações políticas no primeiro dia de um julgamento por corrupção em que é investigado em um rocambolesco caso de vendas de armas.

Dois meses após sua renúncia, Zuma compareceu brevemente no banco dos réus do Tribunal Superior de Durban (nordeste) para uma audiência preliminar.

O julgamento do ex-presidente foi então adiado para 8 de junho, para dar tempo às partes de planejar seus argumentos.

A Justiça suspeita de que, em 1999, Zuma - então ministro provincial e depois vice-presidente do país - tenha aceitado suborno por um contrato de armamento de 4,2 bilhões de euros (cerca de 5,16 bilhões de dólares) firmado pela África do Sul com várias empresas estrangeiras em 1999. Entre elas, está a francesa Thales.

A empresa de eletrônicos e de defesa também está sendo processada.

Assim que os debates foram suspensos, Zuma denunciou as acusações "políticas" contra ele.

"Estas acusações foram anuladas e, agora, são relançadas. Está claro que são políticas", declarou Zuma, em zulu, diante das mais de mil pessoas que se reuniram diante do Palácio de Justiça de Durban.

"Eu sou inocente até que eu seja julgado culpado, mas algumas pessoas querem me tratar como se eu já fosse culpado", declarou à multidão que gritava "não mexa com Zuma".

Jacob Zuma se viu obrigado a abandonar a Presidência, após um longo confronto com o novo líder de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), Cyril Ramaphosa.

Este, que fez da luta contra a corrupção uma de suas bandeiras, sucedeu a Zuma à frente do país.

"O presidente Zuma representa dentro do partido a tendência voltada aos pobres. Hoje, algumas pessoas à frente do partido o perseguem por isso", lamentou Sibusiso Radebe, membro da associação de ex-combatentes do ANC.

"Ele pode ter cometido erros, mas nós queremos que ele possa se aposentar tranquilamente", insistiu outro militante, Sphelele Ngwane. "É uma conspiração, um complô político conduzido por aqueles que estão no poder".

O julgamento de Zuma é aguardado com impaciência pela oposição e ONGs que combatem a corrupção.

"Espero um verdadeiro julgamento e um veredicto apropriado. Se este for o caso, Jacob Zuma deverá terminar na prisão", declarou à AFP o ex-deputado do CNA Andrew Feinstein, que batalha há anos para esclarecer os fatos.

"As provas de sua culpa são esmagadoras", considerou.

Segundo a acusação, o grupo Thales depositou a Zuma um total de 4.072.499,85 rands - o equivalente a 280.000 euros em cotação atual - por intermédio de um empresário apresentado como seu "conselheiro financeiro", Schabir Shaik.

Em um fax enviado em 2000 a sua chefia em Paris, um diretor local da Thales escreveu que o grupo tinha firmado o compromisso de depositar 500.000 rands por ano a Zuma para garantir a "proteção" da companhia e "o apoio permanente de JZ (Jacob Zuma) para futuros projetos".

Com base nessas provas, Shaik foi considerado culpado de corrupção em 2005 e condenado a 15 anos de prisão.

Procurado pela AFP, o grupo Thales não quis comentar "um caso em andamento" ou as "alegações" de seu ex-conselheiro. Também indicou que coopera com as autoridades sul-africanas.

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