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Lava Jato: cronologia da investigação sobre escândalo de corrupção da Petrobras

06/04/2018 01h32

São Paulo, 6 Abr 2018 (AFP) - A Operação Lava Jato, que investiga a rede de corrupção e pagamento de propina na Petrobras, voltou a abalar o Brasil nesta quinta-feira, com o juiz Sérgio Moro decretando a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em quatro anos, os juízes ligados à Lava jato pronunciaram cerca de 190 condenações contra empresários e políticos de primeiro escalão, de quase todo o espectro parlamentar.

Datas-chave deste escândalo:

- 2018 -

5 de abril: O Supremo Tribunal Federal (STF) rejeita - de madrugada - habeas corpus de Lula para recorrer em liberdade de sua condenação em segunda instância.

Moro decreta a prisão de Lula, dando o prazo de 24 horas para o ex-presidente se apresentar à sede da Polícia Federal em Curitiba.

24 de janeiro: O Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4) confirma a sentença de Moro e eleva a condenação para doze anos e um mês de reclusão. Em 26 de março, o TRF4 rejeita os últimos embargos da defesa. A condenação em segunda instância inclui Lula na Lei da Ficha Limpa, dificultando sua candidatura à presidência.

- 2017 -

12 de julho: Moro condena Lula a 9 anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

26 de junho: O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, denuncia o presidente Michel Temer (MDB) por corrupção passiva.

17 de maio: Rede Globo divulga gravação do diretor da JBS, Joesley Batista, na qual se ouve Temer dar um suposto aval ao pagamento de subornos.

11 de abril: O Supremo autoriza a abertura de investigações contra oito ministros de Temer. O procedimento é ampliado a 29 senadores, 40 deputados e três governadores.

14 de março: Janot solicita a abertura de 83 investigações contra políticos com foro privilegiado, com base em delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht.

30 de janeiro: Eike Batista, que foi o homem mais rico do Brasil, é detido em um desdobramento da Lava Jato.

- 2016 -

4 de março: a polícia faz buscas na casa de Lula em São Paulo e o leva a depor para investigar se cometeu crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na 24ª fase da operação Lava Jato.

23 de fevereiro: o principal encarregado pela publicidade das campanhas presidenciais de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, João Santana, e sua mulher são detidos para esclarecer se os milionários pagamentos recebidos do exterior provinham de uma construtora e de um operador financeiro ligados ao esquema montado na Petrobras.

3 de fevereiro: O ex-diretor da área internacional da Petrobras Jorge Zelada é condenado a doze anos de dois meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

- 2015 -

25 de novembro: o senador do Partido dos Trabalhadores (PT), Delcídio Amaral, líder do governo no Senado, é detido por obstruir as investigações. Amaral saiu da prisão quase três meses depois e a revista IstoÉ publicou em 3 de março de 2016 supostas declarações dele à Justiça que acusam Dilma Rousseff de interferir nas investigações e Lula de estar a par do esquema.

O banqueiro André Esteves, presidente do BTG, o maior banco de investimentos da América Latina, também foi detido em 25 de novembro, acusado de querer comprar o silêncio de um ex-diretor da Petrobras, acusado de corrupção. Ele foi libertado em 18 de dezembro.

21 de setembro: o tesoureiro do PT José Vaccari Neto, acusado de 44 delitos de lavagem de dinheiro e detido desde abril, é condenado a 15 anos e 4 meses de prisão. Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, é condenado a mais de 20 anos de prisão na mesma data.

20 de agosto: o procurador-geral da República denuncia que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, recebeu pelo menos cinco milhões de dólares em suborno no esquema. Na quinta-feira, 3 de março, a Suprema Corte acolheu as denúncias contra Cunha e este, terceiro na linha sucessória da Presidência do Brasil, se tornou o primeiro político com foro privilegiado a enfrentar uma ação penal no Petrolão.

No mesmo dia, também é acusado o ex-presidente Fernando Collor por suposto envolvimento no esquema. A polícia sequestra carros de luxo de uma de suas residências.

3 de agosto: José Dirceu, ex-chefe de gabinete de Lula, já condenado a sete anos de prisão por um esquema de propina contra legisladores no primeiro governo do ex-presidente, é detido e a procuradoria o acusa de ser um dos líderes do esquema de corrupção na Petrobras.

20 de julho: a justiça condena a mais de 15 anos de prisão os principais diretores da construtora Camargo Correa, Dalton Avancini e Eduardo Leite. Ambos assinaram um acordo de colaboração com a procuradoria para cumprir a sentença em prisão domiciliar.

19 de junho: são detidos os empresários Marcelo Odebrecht e Otavio Marques de Azevedo, presidentes das construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez, duas das maiores empreiteiras do país, pela suposta participação no esquema de corrupção e pagamento de suborno.

26 de maio: o ex-chefe da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró é condenado a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro.

18 de abril: as primeiras condenações da operação contra Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, e o doleiro Alberto Youssef. Ambos se tornaram delatores para buscar reduções em suas penas em troca de informação.

6 de março: o Supremo Tribunal Federal autoriza a investigação de 12 senadores e 22 deputados por corrupção na Petrobras, entre eles os presidentes das duas câmaras, que integram a coalizão de governo.

- 2014 -

17 de março: a polícia lança a primeira fase da operação com 17 detenções incluído Alberto Youssef. No dia seguinte, é detido Paulo Roberto Costa.