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Novas sanções dos EUA contra a Rússia por 'ataques' ao Ocidente

06/04/2018 15h39

Washington, 6 Abr 2018 (AFP) - Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feia novas sanções contra 38 pessoas e entidades russas acusadas de participar nos 'ataques' de Moscou contra "as democracias ocidentais".

Entre os sancionados, figuram sete "oligarcas" ligados ao Kremlin, assim como 17 "altos dirigentes do governo", segundo os funcionários do governo de Donald Trump.

O magnata do alumínio, Oleg Deripaska, descrito como operador do governo russo, assim como Alexei Miller, diretor do gigante energético estatal Gazprom, figuram entre os sancionados.

Entre os funcionários afetados estão o diretor do segundo maior banco russo, o estatal VTB, Andrei Kostin; o ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev; Viktor Zolotov, chefe da Guarda Nacional, e o secretário-geral do Conselho de Segurança, Nikolaï Patrouchev.

Entre as entidades sancionadas, destaca-se a estatal Rosoboroneksport, responsável pela exportação de armamento, que, segundo o Departamento de Comércio americano, tem "laços com o governo da Síria".

"Os oligarcas russos que não integram esta primeira lista devem aguardar o alívio", afirmou Boris Zilberman, do centro de análise conservador Foundation for Defense of Democracies (FDD, Fundação para a Defesa de Democracias), comemorando as medidas que buscam "castigar o círculo próximo de Putin".

- Castigo por 'subverter' o Ocidente -"Os Estados Unidos tomam estas medidas em resposta a uma série de atitudes vergonhosas e atividades nefastas do governo russo que se sucedem no mundo", declarou um alto funcionário do governo de Trump à imprensa.

Ele citou, entre elas, "a ocupação da Crimeia, a incitação da violência no leste da Ucrânia, o apoio ao regime de Bashar Al Assad na Síria" e "as ciberatividades mal intencionadas".

"Mas, sobretudo, isso é uma resposta aos contínuos ataques da Rússia para subverter as democracias ocidentais", acrescentou.

A Casa Branca publicou nesta sexta-feira um comunicado intitulado: "Donald Trump enfrenta as atividades nefastas da Rússia", enumerando todas as medidas tomadas por seu governo.

Mas o magnata reitera também que gostaria de ter uma "boa relação" com Putin.

"A porta se mantém aberta", garantiu nesta sexta-feira um alto funcionário. "Queremos ter relações melhores com a Rússia", mas isso só será possível se ela "mudas de atitude".

Essas sanções se baseiam em uma legislação aprovada pelo Congresso em represália à Rússia por sua suposta interferência nas eleições presidenciais de 2016, assim como sua intervenção na Ucrânia.

Contudo, os anúncios desta sexta-feira se aceleraram diante da suposta participação da Rússia na tentativa de assassinato de um ex-agente duplo russo no Reino Unido, na qual foi utilizado um agente neurotóxico.

O governo de Trump, entretanto, questiona duramente a suposta interferência de Moscou nas eleições que o levaram à Casa Branca em 2016.

Contudo, as agências americanas de inteligência expressaram distintos graus de convicção sobre a participação de hackers russos em ciberataques.

Além disso, o Departamento de Justiça nomeou um procurador especial, Robert Muelle, para liderar uma enorme investigação, a fim de determinar se o comitê de campanha de Trump agiu em conluio, ou coordenadamente, com cidadãos e entidades russos durante a campanha eleitoral.