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Políticos brasileiros cautelosos diante da prisão de Lula

06/04/2018 20h13

Brasília, 6 Abr 2018 (AFP) - Paradoxalmente, a inesperada ordem de prisão contra o ex-presidente Lula da Silva foi recebida com grande cautela pelos dirigentes de partidos conservadores, férreos opositores do líder sindicalista, em sua maioria também investigados por corrupção.

O silêncio e a moderação reverberaram forte, especialmente considerando que a prisão de Lula, histórico líder do Partido dos Trabalhadores (PT), para cumprir uma pena de mais de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, eliminará o favorito às eleições presidenciais de outubro.

O presidente Michel Temer manteve silêncio. O vasto escândalo de corrupção revelado pela Operação 'Lava Jato' não atingiu apenas Lula, mas também o atual mandatário e os principais dirigentes do seu partido, o MDB.

- "Perplexos" -"A Lava Jato foi muito além do que os políticos dos principais partidos, das grandes lideranças do Congresso, do que Temer achavam. Seus cálculos eram de que não iria tão longe", disse à AFP Sylvio Costa, editor do site Congresso em Foco.

Os políticos estão perplexos, não estão entendendo o que acontece. "Se Lula, com toda sua popularidade, em primeiro lugar nas pesquisas, vai preso, imagine o que acontecerá comigo?"

Segundo o Congresso em Foco, quase 40% dos deputados e senadores federais estão sob a lupa da justiça por crimes, a maioria por desvio de dinheiro público ou corrupção passiva.

Em resumo, 50% dos 81 senadores e mais de um terço dos 513 deputados tem pendências na justiça.

- Violência -A prisão de uma figura de grande popularidade como Lula - condenado por receber um apartamento de uma construtora envolvida no escândalo da Petrobras - ocorre em meio a um crescente clima de violência, que teve um de seus pontos mais altos quando a caravana do ex-presidente foi atingida por tiros no sul do país, no mês passado.

Até Jair Bolsonaro, um antigo militar que ganhou popularidade no calor da crise que em 2016 derrubou a presidente Dilma Rousseff, optou por uma mensagem de campanha: "O Brasil marcou um gol contra a impunidade e contra a corrupção, mas apenas um gol, o inimigo ainda não está eliminado. Temos que eleger no corrente ano um presidente da República, seja homem ou mulher, que seja honesto, tenha deus no coração e que seja patriota".

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), um dos candidatos a reunir as múltiplas forças de centro direita, escreveu no Twitter: "É lamentável ver a decretação da prisão de um ex-presidente, mas tenho a convicção de que isso simboliza uma importante mudança que vem ocorrendo no Brasil, o fim da impunidade. A lei vale para todos".

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), também pré-candidato presidencial, avaliou que "aqueles que têm responsabilidade pública, em qualquer nação, não podem celebrar a ordem de prisão de um ex-presidente".