Portas do Chelsea Hotel e seus fantasmas vão a leilão em Nova York

Nova York, 6 Abr 2018 (AFP) - Mais de 50 portas que durante anos guardaram os segredos de Jimi Hendrix, Leonard Cohen e Janis Joplin no mítico Chelsea Hotel foram parar nas mãos de um homem sem-teto e serão vendidas em um leilão incomum em Nova York.

Durante mais de um século, dezenas de talentosos músicos, escritores, atores e artistas como Mark Twain, Jack Kerouac, Humphrey Bogart, Bob Marley, Joni Mitchell, Patti Smith, Madonna e Andy Warhol residiram por semanas ou anos no Chelsea Hotel, símbolo da boêmia nova-iorquina.

Declarado monumento histórico, mas em total decadência, este refúgio de artistas fechou em 2011 e, com exceção de sua fachada, está sendo completamente reformado.

Neste momento entra na história Jim Georgiou, apaixonado pelo Chelsea Hotel que viveu lá de 2002 a 2011, até que foi despejado por não pagar o aluguel. Começou então a viver na rua com seu cachorro Teddy, quase em frente ao hotel, tentando sobreviver com a venda de discos de vinil.

Em 2012, Georgiou viu como os operário que reformavam o edifício se dispunham a retirar suas portas e conseguiu recuperar mais de 50 delas com a ajuda de amigos, contou à AFP Arlan Ettinger, dono da casa de leilões Guernsey's, que realizará a venda em 12 de abril.

"Quando você é um homem sem-teto, uma porta adquire um grande significado, é a entrada de um lar, que a pessoa indigente não tem", disse Ettinger.

Começou então a longa pesquisa de Georgiou para conectar cada porta enumerada com os quartos ocupados pelos famosos.

"Começou a ir à biblioteca do bairro, passou centenas de horas pesquisando (...) Falou com amigos que ainda viviam no hotel, com a equipe da recepção que tinha acesso ao arquivo" e conseguiu identificar 22 portas ligadas a figuras lendárias, contou Ettinger.

Georgiou se aproximou da Guernsey's no ano passado, após tentar, sem sucesso, organizar uma venda com outras casas de leilões que recusaram sua ideia.

Ele já não vive mais na rua, alguns amigos lhe ofereceram um teto. Mas embora não tenha dinheiro, a metade do arrecadado no leilão irá para a organização City Harvest, que recolhe comida de restaurantes e a distribui entre nova-iorquinos de baixos recursos.

"Cada porta leva consigo um número significativo de fantasmas", apontou Frank Maresca, dono da galeria Ricco-Maresca, onde estão expostas as "obras", presas ao teto com cordas de metal e formando um labirinto.

Ettinger não tem ideia de por quanto as portas serão vendidas, mas não há um preço mínimo.

"São portas antigas, danificadas, não parecem muito bonitas. Mas têm um significado incrível. É difícil estimar seu valor", afirmou o arrematador, para quem este, sem dúvidas, é o leilão mais estranho de sua vida.

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